Se você me amasse… você teria ficado.
Ou pelo menos teria me dito que ia embora olhando nos meus olhos.
Mas você partiu aos poucos.
Cada vez que se calou quando eu me abria.
Cada vez que ria do que me fazia doer.
Cada vez que preferiu o celular, o orgulho, o silêncio… ao invés de mim.
E mesmo assim, eu fiquei.
Fiquei quando já era só eu.
Fiquei tentando te resgatar dentro de uma versão de você… que não me via mais.
Eu não precisava que você fosse perfeita.
Só queria que você me escolhesse. Todos os dias.
Mesmo cansada, mesmo com raiva, mesmo errando — que me dissesse:
“Eu ainda quero tentar.”
Mas você… desistiu em silêncio.
Enquanto eu ainda fazia planos.
Enquanto eu ainda sonhava com domingos com cheiro de bolo,
com jantares bobos na terça,
com mensagens dizendo “chega logo, tô com saudade”.
Você foi me deixando sem dizer adeus.
E eu fui morrendo sem saber por quê.
E agora, mesmo que eu siga, mesmo que eu ame de novo…
uma parte de mim ficou ali.
No meio daquela discussão sem fim,
naquele quarto que virou campo de guerra,
naquele abraço que a gente não deu na última noite.
Você podia ter me amado como eu amei você.
Mas talvez… o amor que eu dei fosse grande demais pra quem só sabia se proteger.
E mesmo assim… eu perdoo.
Porque eu não fui perfeito também.
Porque eu também me perdi às vezes.
Mas o que eu te dei… foi real.
E isso ninguém apaga.
Se você me amasse…
talvez ainda doeria.
Mas ao menos eu saberia que valeu.
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