Eu não quero muito, quero o exato.
O que me caiba no peito sem sobrar solidão,
e transborde amor sem escorrer mentira.
Quero um ombro —
mas não qualquer ombro.
Um que aguente minha cabeça cansada,
e deixe o silêncio falar mais do que mil promessas vazias.
Quero um colo que acolha
não por pena,
mas porque me reconhece.
Quero dormir no sofá,
com uma música bonita ao fundo
e um carinho bobo entre os dedos.
Quero o som do “fica mais um pouco”
sussurrado entre lençóis,
com cheiro de café e banho tomado juntos.
Quero sexo que seja alma,
mordida que seja riso,
olhar que seja lar.
Quero dormir sem roupa e sem medo.
Quero vigiar o sono dela,
e dizer pra mim mesmo:
"É aqui que mora a paz que eu pedi em todas as minhas orações não atendidas."
Quero dedicar poemas,
mandar flores,
escrever bilhetes,
enfeitar o dia dela com bombons e bobagens.
E quero — mais do que tudo — receber também.
Quero acordar com um “bom dia, amor”,
e responder:
"Te esperei por tantos dias ruins,
obrigado por existir."
Não me importa o nome,
a cor da pele,
o tipo do cabelo,
o passado que ela carrega.
Só me importa
que, quando ela chegar,
reconheça tudo o que tenho guardado aqui dentro.
E que ela me abrace como quem diz:
“Eu vim pra ficar.”
Porque eu sou o brinquedo esquecido,
mas com alma de criança.
Eu amo demais, e agora…
quero ser amado na mesma medida.
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