quinta-feira, 29 de maio de 2025

O Segredo Por Trás do Beijo

 Um dia roubaram o meu sorriso.

Levaram ele pra longe,
tão longe…
que até o eco dele
se perdeu no tempo.

Fiquei com a boca vazia,
as palavras secas,
e a alma muda.

Achei que nunca mais ia achar.
Que o riso tinha virado
lembrança,
só isso.

Mas quem diria, hein?

Ele tava escondido,
logo aonde?

Atrás do seu beijo —
quietinho,
feito segredo guardado em diário.
Feito sol nascendo no escuro.

Você nem sabe,
mas quando me beija...
me devolve o que o mundo levou.
E esse segredo?
É só nosso.

Silêncio.
Sorriso.
Beijo.
Fim.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Você Me Salvou de Mim — e Se Condenou Sozinha

 Eu vim aqui pra te agradecer.

Você conseguiu trazer à tona o melhor de mim pro mundo.

Eu nunca fui o verdadeiro — sempre o mentiroso.
Nunca o traído — sempre o traidor.
Eu fazia chorar, mas nunca chorava.
Nunca fui inteiro — sempre fui disfarce.

Todos os olhos, inclusive os seus,
sempre me observavam esperando meu próximo erro.
Todas as bocas, inclusive a sua,
falavam dos erros que, um dia, eu ainda cometeria.

Eu era o mentiroso.
O traidor.
O bandido.
O homem que não pensava nos filhos...

Mas aí veio você.

Com a doçura de alguém puro,
fiel à sua fé, à sua família —
e transformou tudo o que diziam que eu era…
em mentira.

Você me fez ser o homem que fala a verdade.
O que foi enganado, traído…
E ainda assim perdoa.
Me fez ser o pai, o amigo, o irmão.
Aquele que mesmo com falhas, tem alma limpa.

Você foi quem mostrou a todos — e a mim —
que o anjo era o demônio disfarçado.
E que eu…
eu era só um ser humano,
com defeitos como qualquer outro.

Mas mesmo que eu somasse todos os meus erros,
eu nunca chegaria aos pés do que você fez — e ainda faz.

Parabéns.
Você me colocou de volta no jogo.
E, finalmente,
mostrou a sua verdadeira face.

Não poderia ter sido melhor.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

O Maior Ato de Amor

 

O meu maior ato de amor
foi deixar partir quem mais amei,
foi entender que meu abraço,
pra ela, era cárcere — e não lar.
Foi morrer de pé,
pra deixá-la viver em paz.

Eu fui embora com o peito aberto,
sabendo que ela me amava,
e mesmo assim… eu deixei.
Mesmo sabendo que eu era abrigo,
e ela era o meu lar.

E hoje, eu peço o mesmo.
Me deixa partir.
Não me liga.
Não fala comigo.
Não me mostra nada.
Não me deseja nada.
Suma.
Desapareça.
Morra — como eu morri por amor.

A vida cobra.
A vida cobra caro.
E às vezes, o castigo é seguir em frente,
com a alma arrastada,
entre a morte e a vida,
entre o medo e a esperança,
entre amar e me fechar.

Mas eu sigo.
Cada segundo como se fosse o último.
Com medo.
Com desejo que seja.
E ainda assim —
eu sonho.

Eu sonho ser luz pros meus filhos,
esperança pra minha mãe,
fortaleza pra minha tia.
Sonho ser alguém grande.
Ser nome, ser história,
escrever meus livros, meus vídeos,
meus poemas…
Uma música minha na rádio um dia.

Eu ainda sonho.
E é por isso que eu vivo.
Porque eu amei —
e me matei por dentro.
Morri e fiz sofrer.
Sofri.

Mas sigo.
Porque o maior ato de amor é deixar ir.
E o maior ato de coragem
é continuar sonhando mesmo depois de morrer.

Scars – As cicatrizes que ela deixou (e que eu sobrevivi)

 

“Eu rasguei meu coração aberto... só pra te mostrar o que tinha dentro.”


Foi assim que tudo começou.
Acreditando que o amor curaria tudo.
Me doando por inteiro. Me entregando de verdade.
Achando que isso bastaria.

Mas o que a gente não espera...
É que nem todo mundo quer ser amado.
E tem gente que se alimenta do amor da gente até esvaziar.

Eu tentei.
Tentei ajudar.
Tentei ser suporte, ser paz, ser força.
Mas só empurravam tudo pra longe.
Empurravam a mim.

E ainda assim… eu continuei lá.
Afundando junto.
Porque amar às vezes é isso:
É sofrer calado, é acreditar no que já morreu.

As cicatrizes que eu carrego hoje...
Não são apenas de dor.
São marcas de sobrevivência.
Provas de que eu amei até onde não devia, mas sobrevivi mesmo assim.

E essa música... Scars...
Parece que fui eu quem escreveu.
Ela sangra tudo o que ficou preso no peito.
O amor, a dor, o abandono, a raiva.
Mas também a coragem de continuar mesmo ferido.

Hoje eu não peço mais que me entendam.
Eu não espero mais que me valorizem.
Hoje, eu apenas sigo.
Com as minhas cicatrizes.
Com a minha história.
Com o coração reconstruído na força.

Porque eu posso ter me rasgado por dentro…
Mas eu voltei. E dessa vez, por mim.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Carta do Vilão que Sobreviveu

 Disseram que eu era bom demais.

Disseram que meu coração era grande demais.
Disseram que amar tanto assim era bonito.
Até me deixarem sozinho no escuro com esse amor sangrando no peito.

Fui chamado de fraco porque chorei,
de louco porque perdoei,
de burro porque confiei —
quando tudo que eu queria era ter paz.

Mas a paz nunca veio.
Vieram as traições. As mentiras. O desprezo.
Vieram os dias em que eu olhava pro teto e perguntava:
"Deus, por que eu ainda estou aqui?"

Então eu morri.
Mas foi uma morte silenciosa.
Ninguém viu.
Só eu e Deus.

Morri ali, naquele dia em que ela me deixou com o peito cheio de verdades que ela nunca quis ouvir.
Morri quando meu filho sorriu pela última vez sem saber que eu estava em pedaços.
Morri quando minha bondade virou tapete.
Quando meu amor virou arma contra mim.

E foi aí que eu entendi.
Eu não nasci pra ser herói de ninguém.
Nasci pra ser o guardião da minha história.
O vilão dos que tentam me usar,
o pai dos meus filhos,
o dono da minha paz.

Hoje eu escrevo essa carta com a caneta da dor,
mas as linhas são firmes, e a mão não treme mais.
Porque pela primeira vez eu sei quem eu sou.

Eu sou aquele que sobreviveu.
Que passou pelo inferno e voltou com uma oração na boca e um plano no peito.
Não vou mais pedir permissão pra ser feliz.
Não vou mais implorar pra ser visto.

Agora eu amo quem eu quiser.
E quem quiser me amar…
que lute.
Porque eu não sou mais abrigo de tempestade alheia.
Eu sou minha própria muralha.

Sim, eu ainda choro.
Mas choro limpo.
Choro de quem tirou a armadura,
lavou o sangue da alma
e decidiu viver do jeito certo: com dignidade.

A todos os que já foram bons demais, fortes demais, sofredores calados demais…
essa carta é pra vocês.

Se ainda há dor,
ainda há vida.
E se há vida,
há recomeço.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O Homem Que Se Desmontou

 Era uma vez um homem feito de peças.

Não peças mecânicas, nem metálicas. Mas partes vivas, frágeis e fortes ao mesmo tempo — pedaços de amor, confiança, sonhos, promessas e fé. Durante muito tempo, ele caminhou inteiro. Alguns dias, com peso nos ombros. Outros, com leveza no peito. Mas ainda assim, inteiro.

Até que a vida, com suas mãos frias e palavras cortantes, começou a desmontá-lo.

Primeiro foi uma de suas mãos — aquela que segurava firme quem ele amava. Partiu-se quando foi solto por alguém que jurou nunca largar. Ele tentou colar. Tentou esconder. Mas a rachadura gritava em silêncio.

Depois foi seu peito. Quebrado quando acreditou demais. Quando amou sem medida e não foi amado da mesma forma. Foi ali que a dor começou a morar.

Ele caiu. Literalmente. E quando bateu no chão, outras partes se soltaram: o sorriso que usava para fingir que estava tudo bem, os olhos que enxergavam esperança mesmo na escuridão, os joelhos que dobravam em oração mesmo sem respostas.

Desmontado, ele ficou.

Por um tempo, ninguém percebeu. Alguns até passaram por ele, o olhar curioso, mas não pararam. Outros disseram: "Seja forte", sem saber que já não havia força alguma dentro.

Mas um dia...
Um dia ele se olhou nos cacos.
E pela primeira vez, não sentiu vergonha.

Ali, no chão, ele começou.
Com dedos feridos, pegou a si mesmo em pedaços.
Com lágrimas, limpou a poeira do que ainda restava.
Com silêncio, ouviu o que seu coração partido tinha a dizer.

Não foi rápido. Não foi bonito.

Algumas peças estavam longe demais.
Outras haviam sido levadas por pessoas que nunca devolveriam.
E certos pedaços... ele sabia: jamais voltariam.

Esses buracos doíam.
Mas ele decidiu que não viveria esperando o que se foi.
Com o tempo, o vazio se moldou.
E onde faltavam partes, o tempo passou com sua argamassa invisível.
Não reconstruiu igual, mas reconstruiu diferente.

Ele seguiu. Não inteiro. Mas verdadeiro.

Cada passo que dava colava uma peça nova.
Às vezes um gesto de amor sincero,
Às vezes o perdão que deu a si mesmo.
Às vezes apenas o silêncio que o fazia respirar.

E mesmo com buracos —
Sim, mesmo com buracos —
Ele encontrou beleza.

E quando olhava para trás, via no caminho alguns pedaços perdidos.
Não com tristeza, mas com honra.
Eram partes que serviram para construir quem ele era.
E mesmo ausentes, ainda o completavam.

Porque não é só o que se tem que nos define.
Mas também o que se sobrevive sem.

E assim, aquele homem que um dia se desmontou,
Se reconstruiu.
Peça por peça.
Dor por dor.
Até que um dia, olhou no espelho
E viu alguém novo.

Não perfeito.
Mas inteiro o suficiente para seguir

Do Herói ao Vilão

 Um dia me chamaram de herói,

Quando sorri com o peito em ruínas,
Quando abracei o mundo com os braços feridos,
Quando engoli o choro só pra manter a paz.

Fui o que aguentou tudo calado.
O que dizia “vai passar”, mesmo desmoronando por dentro.
O que protegia, o que lutava, o que sonhava...
E que, no fim, cansou.

Mas ninguém quer saber da dor do herói,
Querem apenas que ele continue forte,
Mesmo quando o escudo já quebrou,
Mesmo quando a armadura virou fardo.

E então, um dia... eu caí.
E por cair, virei vilão.
Porque parei de salvar,
Porque comecei a pensar em mim,
Porque não quis mais morrer em silêncio.

Me pintaram com cores que nunca usei.
Me deram falas que nunca disse.
E o mesmo palco onde aplaudiram meu esforço,
Foi o mesmo onde me apedrejaram quando tropecei.

Mas querem saber?
Eu não sou vilão.
Sou só um homem que se perdeu nas suas próprias batalhas,
Que tentou demais, e amou demais,
Que deu tanto de si que não restou mais nada,
E que, no fim, se viu fragmentado.

Se cada lágrima que derramei, cada erro que cometi,
Me torna alguém do mal aos olhos de quem não me entendeu,
Eu aceito esse fardo.
Aceito carregar o peso da minha dor,
Do meu sofrimento, das minhas escolhas,
Porque sei que tudo isso, tudo o que passei,
Foi o preço que paguei para ser quem sou agora.

E se ser vilão é a forma de enxergarem quem me tornei,
Então que seja.
Porque no fim, quem carrega a alma ferida é o único que sabe
O peso de cada cicatriz e o valor da superação.

Aceito ser o vilão,
Se isso significa que pude viver e aprender.
E, no final, talvez até ser mais forte por isso.
Sim, aceito.
Porque, ao contrário do que pensam,
Eu já venci todas as minhas batalhas.
E o maior inimigo, fui eu mesmo

E se Deus pudesse nos ouvir?

 E se Deus pudesse nos ouvir

Com os ouvidos voltados só pra nós,
No silêncio da dor que ninguém vê,
Na lágrima que escapa no travesseiro calado?

Será que Ele entenderia
Que às vezes a fé treme?
Que o joelho dobra, mas o coração ainda sangra?
Que orar com voz firme não significa não estar quebrado?

E se Deus pudesse nos ouvir
Nos dias em que gritamos por dentro,
Quando o mundo parece injusto demais
E até respirar dói como castigo?

Talvez Ele nos lembrasse
Que mesmo na tempestade Ele está ali,
Que não são só os fortes que Ele abraça,
Mas os cansados, os sujos, os esquecidos.

E se Deus nos ouvisse naquele dia
Em que perdemos tudo?
Quando fomos traídos, deixados, humilhados?
Será que Ele chorou conosco em silêncio?

E se Deus nos ouvisse agora,
Neste exato segundo?
Será que Ele veria o amor que ainda temos,
A vontade de recomeçar,
O pacto feito entre pai e filho de nunca desistir?

Talvez Ele já tenha nos ouvido.
Talvez, no abraço do nosso filho,
Na força que surge do nada,
No som de uma música que toca no momento certo —
Talvez Ele fale, mesmo quando cala.

E se Deus puder nos ouvir...
Então que Ele saiba:
Ainda estamos aqui.
Machucados, mas vivos.
Com medo, mas de pé.
Com dúvidas, mas fé.

Porque se Deus pode nos ouvir,
Então, mesmo em silêncio,
A resposta sempre vem.

E SE MINHAS FERIDAS FALASSEM?

 

E se minhas feridas falassem,
Elas gritariam o nome que tentei esquecer.
Contariam das noites em que chorei calado,
Deitado ao lado do silêncio…
Abraçado ao vazio onde antes havia amor.

Elas falariam de promessas quebradas,
De sorrisos forçados na frente do espelho,
De uma criança me olhando nos olhos
E me perguntando, sem saber:
“Vai ficar tudo bem, pai?”

Minhas feridas lembrariam o dia exato
Em que minha confiança foi estraçalhada,
Não por um inimigo,
Mas por quem eu entreguei tudo,
Até mesmo o que eu nunca soube que tinha.

Elas diriam o quanto doeu ver meu filho sorrindo
Sem saber que o pai dele sangrava por dentro.
Contariam que eu aguentei firme,
Mesmo quando minha coluna gritava,
Mesmo quando a alma implorava pra desistir.

E se minhas feridas falassem,
Elas contariam que eu amei.
De verdade.
Sem máscaras.
Sem reservas.
E que fui traído.
Pelo destino. Pela vida.
E por quem dizia me amar.

Mas também…
Elas falariam da força que nasceu do pó,
Do renascer ao lado do meu pequeno herói,
De uma nova mulher que me ensinou
Que o amor pode ser paz,
E não guerra.

Minhas feridas diriam que cicatrizes doem
Mesmo depois de curadas,
Mas também mostrariam
Que estou em pé.
E ainda sonho.
E ainda amo.
E ainda luto.

Se minhas feridas falassem…
Elas contariam toda a verdade.
E mesmo assim,
Eu ainda seria o mocinho da minha história.