segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Cinzas de Mim

Eles me jogaram ao abismo,

acharam que o escuro ia me devorar.
Me cortaram em mil pedaços,
acharam que eu nunca ia voltar.

Meu corpo virou pó,
meu nome virou silêncio.
Mas o que eles não sabiam
é que no fundo do silêncio mora um grito.

Das cinzas que eles fizeram de mim,
eu me reconstruí.
Costurei minha carne com coragem,
lavei minha alma no fogo,
aprendi a andar sem chão.

Agora, cada gota do meu sangue
é um pacto de renascer.
Cada cicatriz, um mapa
do caminho que só eu sei percorrer.

Eles mataram o que eu era.
Mas nasceram as minhas asas.
E eu não sou mais o que fui:
sou maior, sou fogo, sou brasa.

Do pó eu voltei.
Do nada, me ergui.
Do que eles destruíram,
eu construí quem eu queria ser.

Do próprio sangue

Morreram-me os ossos antes da carne,

rasgaram-me a alma antes da pele.
Eu caí, sem grito,
num chão frio que não era meu.

E ali fiquei,
um corpo sem destino,
um nome sem dono,
um nada esperando acabar.

Mas meu sangue não aceitou o fim.
Ele queimava nas veias partidas,
chorava vermelho sobre a terra,
implorava pelo renascer.

E do próprio sangue eu levantei,
não mais como era,
mas como nunca tinham visto.

Minha pele, agora feita de cicatrizes,
meus olhos, forjados na dor.
Minha voz,
um trovão que não se cala.

Eu não sou mais o que fui —
morreu quem rastejava.
Do meu próprio sangue,
nasceu quem caminha sobre brasas,
quem encara o mundo e não abaixa a cabeça,
quem não se quebra mais.

Sou o fantasma do que tentaram destruir,
o renascimento daquilo que não puderam matar.