Você não é um erro.
Erros a gente comete tentando acertar.
Você foi escolha.
Deliberada.
Fria.
Egoísta.
Você abriu mão do que o mundo inteiro invejaria:
um lar com amor demais.
E foi atrás de gozo, de festa, de likes,
enquanto uma criança aprendia a calar a dor
pra não te incomodar.
Você não é mulher,
é um susto mal contado na vida de quem confiou em você.
É a ferida que nunca cicatriza nos olhos do menino que só queria colo.
É a ausência vestida de batom,
rindo alto enquanto a alma do teu filho gritava.
Você não tem nome.
Perdeu quando deixou de ser mãe.
Porque mãe não troca filho por tesão,
não some por conveniência,
não mente com tanta firmeza que quase convence Deus.
Enquanto eu carregava o mundo nas costas,
você sambava sobre o nosso lar.
Você não cuidou de mim — e tudo bem.
Mas teve coragem de abandonar quem ainda dormia com bichinho de pelúcia.
Você teve peito pra beijar outro homem,
mas não pra perguntar como ele estava.
Você soube esconder o adultério,
mas não soube disfarçar o desprezo.
Hoje, eu sinto por você…
sinto nojo.
Sinto vergonha de um dia ter achado que você era luz.
Luz não destrói o que ilumina.
Você é sombra.
E sombra que não protege, só assusta.
Meu filho não te deve nada.
E eu, menos ainda.
Te dei amor — você me devolveu desprezo.
Te dei casa — você devolveu silêncio.
Te dei o que tinha — você me arrancou até o que era meu.
E sabe o que é mais irônico?
Nem ódio eu consigo sentir por você.
Porque o que você fez foi tão pequeno…
Tão sujo…
Tão abaixo do que se espera até do pior ser humano,
que só me resta olhar pra você com a compaixão que se dá a um cachorro ferido:
não por pena —
mas por saber que até o bicho mais vira-lata tem mais alma que você.
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