Me disseram que amor é flor,
mas comigo sempre veio com espinho.
Me disseram que o mundo gira,
mas pareceu me girar no moinho.
Me deram promessas de abrigo,
e construíram só tempestade.
Me fizeram boneco no jogo,
mas esqueceram:
eu sou pai de verdade.
Me tiraram tudo que eu era,
me disseram que era o fim.
Mas esqueceram que eu nasci de novo
quando ouvi o primeiro "papai" vindo pra mim.
Não é clichê.
É sal, lágrima, fome e suor.
É fazer do pouco, um banquete,
é dormir no chão com orgulho e dizer:
"aqui, ninguém sente dor."
Porque filho não sangra.
Filho não pode doer.
Se for preciso, eu arranco a ferida do peito
pra que ele aprenda a viver.
Filho não sofre por erro de adulto,
filho não paga o que pai carregou.
Se eu chorei, calei ou morri por dentro,
foi só pra ele nunca saber o que a dor causou.
Eles — meu recomeço,
meu suspiro,
meu teto.
Enquanto o mundo me quebra,
eles me juntam em pedaço e afeto.
Então, se um dia perguntarem:
"Por que você ainda insiste?"
Respondo com o coração em carne viva:
"Porque eu sou pai. E ser pai é ser raiz."
E se o mundo quiser bater de novo,
que venha com tudo.
Mas saiba:
hoje eu apanho de pé.
E com meu filho no colo,
não caio mais nunca.
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