Você não me matou.
Mas matou tudo que eu era.
Matou meu riso, minha fé nas promessas, meu respeito pela palavra “nós”.
E fez isso devagar, sorrindo, fingindo que ainda amava — só pra manter o disfarce até encontrar outro corpo pra se deitar.
Você me usou.
Usou minha presença pra não parecer sozinha.
Usou meu silêncio pra esconder tua sujeira.
Usou meu amor como fachada, enquanto por dentro já planejava a traição.
Não teve coragem de terminar,
Mas teve apetite pra começar outra história enquanto a nossa ainda respirava.
Dormia na minha cama, com o nosso filho ao lado,
E acordava com mensagens de outros no celular.
E ainda teve a ousadia de se ajoelhar pra orar.
Fingir que era luz,
Enquanto mergulhava no próprio abismo.
Mas Deus viu.
Deus viu tudo.
O que você fala de mim nos bastidores.
O que você mentiu pro seu próprio filho.
O que você faz enquanto diz que vive pela fé.
Você foi perversa.
Fria.
Tão fria que me cortou e disse que era só vento.
Tão covarde que quebrou o lar que eu lutei pra sustentar e ainda quis posar de vítima.
E sabe o que mais?
Eu nem queria te destruir.
Mas queria que, por um segundo só, você sentisse a dor que me fez viver.
A dor de ver teu filho confuso, com o coração partido, sem entender por que a mãe dele virou outra pessoa.
A dor de explicar pra ele que você mentiu, sem usar a palavra “mentira” pra não sujar ainda mais sua imagem.
A dor de ter que engolir o choro quando ele pergunta: “Ela ainda ama a gente?”
Você mentiu pra mim.
Mentiu pra ele.
Mentiu pra Deus.
E agora mente pra si mesma.
Mas a verdade é uma vadia persistente: ela volta. Sempre volta.
E um dia você vai ver, no rosto do teu filho, o reflexo do que você destruiu.
Porque ele vai crescer.
E ele vai lembrar.
Ele vai lembrar quem estava lá,
E quem só apareceu quando era conveniente.
Talvez ele nunca diga nada.
Mas vai saber.
E quando ele souber…
Eu vou estar em silêncio.
Porque quem tem a verdade não precisa gritar.