quarta-feira, 16 de julho de 2025

Meus Dois Motivos

Eu tive tudo pra desistir.

E por muitas noites…
Desisti.

Desisti de amar.
Desisti de acreditar.
Desisti de tentar ser entendido
num mundo que só aplaude quem mente sorrindo.

Eu caí.
Na frente de todo mundo.
Com a alma arrastada,
com a dignidade em carne viva.

Mas no chão, ouvi dois passos pequenos…
Dois passos que vinham em minha direção.

João com medo no olhar,
Gabi com força na voz:
"Levanta, pai."

E eu levantei.

Você, que dizia me amar,
me deixou abraçado com o frio,
com as contas vencidas,
com as promessas partidas.

Mas o amor verdadeiro não estava nos seus braços.
Estava nas mãozinhas pequenas que seguravam as minhas
como se o mundo dependesse disso.

E dependia.

Hoje, eu não tenho mais medo de ficar só.
Porque eu nunca estive só.

Quando você saiu batendo a porta,
achando que estava me punindo,
não percebeu que estava me libertando.

Do seu egoísmo.
Do seu jogo.
Do peso de tentar te provar que eu valia a pena.

Porque quem vale a pena,
não precisa se explicar.

Agora sou só eu.
E meus dois motivos.

Não sou exemplo.
Sou sobrevivente.
Mas olha só: tô vivo.

E se amanhã me faltar o chão de novo,
eles estarão lá.
Com um desenho,
com um "te amo",
com uma bagunça no quarto
e uma esperança no peito.

Então pode rir, pode sumir, pode dizer o que quiser de mim…

Mas não tenta voltar.

Aqui em casa,
a porta não fecha com estrondo.
Ela fecha com paz.

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