quarta-feira, 16 de julho de 2025

Quando Você Feriu Quem Era Meu

Você podia ter me quebrado,

e foi o que fez.
Quebrou meu riso.
Meu peito.
Meu reflexo no espelho.

Me fez duvidar se eu era homem,
ou só uma sombra pedindo colo.

E mesmo assim eu te perdoei.
Mesmo depois das mentiras,
dos olhares desviados,
das promessas que eram iscas.

Eu segui, calado.

Mas quando eu vi ele...
meu menino, com medo nos olhos
com saudade entalada na garganta
com um silêncio que gritava

— eu morri.

Quando eu ouvi ela...
minha menina, tentando entender
porque o colo que gerou
foi o mesmo que sumiu
sem dizer por quê

— eu matei.

Matei você dentro de mim.

E se existe Deus — e eu sei que existe —
Ele também viu.

Viu a mãe que virou nuvem
quando a tempestade chegou.

Viu a mulher que trocou a eternidade por um gozo barato.

Viu o vazio que você deixou
ser preenchido por mim
com histórias, com almoço,
com papel higiênico, com sono leve,
com medo de que o mundo te pareça justo demais
e devolva o que você fez em dobro.

Você podia ter me deixado.
Mas você abandonou eles.

E isso…
isso não tem desculpa.
Não tem volta.
Não tem oração que limpe.

A partir daqui,
meu perdão só cobre a mim mesmo.
Porque deles…
você não merece nem um pensamento.

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