quarta-feira, 16 de julho de 2025

Aquela Que Me Enterrou Vivo

Ela me chamava de amor

com a boca que sorria pra mim
e mordia o ombro de outra.

Ela deitava comigo
mas sonhava com a outra.
E eu acordava cedo
pra fazer café pros três —
ela, a outra e o fantasma do que eu já fui.

Eu dava o mundo.
E ela queria a lua...
mas não a minha,
a de quem chegou depois,
com perfume barato e promessas fáceis.

A pior parte não foi a traição.
Foi ela fingir que ainda era minha
enquanto já era delas.
Foi me olhar nos olhos e pedir paciência,
como se me matar devagar fosse um favor.

Me usou como alicerce pra construir um lar
com outra mulher dentro.
Sim, mulher.
E eu nem sabia
que dava pra perder pra alguém
que nem jogava o mesmo jogo.

Mas eu perdi.
E sabe o pior?
Não foi pra ela. Foi pra mim.

Porque eu soube.
Eu senti.
E fiquei.

Fiquei por medo.
Fiquei por João.
Fiquei por Gabi.
Fiquei pra ver se ela voltava a ser ela.
Mas ela nunca voltou.
Porque nunca foi.

Ela era ausência maquiada.
Era carinho com validade.
Era o "te amo" que escorregava na língua
só pra justificar a próxima ausência.

E quando finalmente fui embora,
não foi ela que me perdeu.

Fui eu que me achei.

Hoje eu sou o silêncio que ela não aguenta.
A paz que ela não consegue alcançar.
E mesmo que ela volte,
não tem mais porta.
Não tem mais chão.

Porque o homem que morava naquela dor,
já se mudou.

O Velório Que Ninguém Veio

Morreu ali.

Num domingo qualquer.
Com a roupa do dia anterior
e a cabeça cheia de planos
que ninguém quis ouvir.

Ninguém levou flores.
Ninguém fez oração.
O corpo ficou em pé, trabalhando,
cuidando dos filhos,
abraçando quem não soube abraçar ele de volta.

Mas por dentro,
já tinha morrido.

Foi um enterro sem despedida.
Sem caixão.
Só mais uma dor deixada no canto do peito,
como um livro lido até a última página
que ninguém quer reler.

Morreu o menino que sonhava em ser pai,
o homem que achava que amar era suficiente,
o burro que acreditou que bastava ser bom
pra não ser traído.

Enterraram ele debaixo dos “eu te amo” vazios,
dos pedidos de paciência,
das promessas feitas no calor da bebida.

E ele aceitou.

Aceitou ser tapa-buraco,
lar temporário,
coração de aluguel.

Mas ninguém percebeu
o dia em que ele parou de sorrir de verdade.
Nem quando ele gravava vídeos,
nem quando ele fazia piada,
nem quando dizia "tá tudo bem".

Porque não tava.
Não tá.

Só ele viu o velório.
Só ele chorou.
Só ele cavou a própria cova
e depois teve que sair dela,
sozinho.

Hoje, ninguém visita aquele túmulo.
Só o eco dos erros.
Só as promessas que não voltaram.

E ele?
Ele vive, mas não respira do mesmo jeito.
Ele ama, mas com máscara de oxigênio.
Ele sonha, mas com as portas trancadas.

Ele virou lenda.
Virou rocha.
Virou o tipo de homem que não precisa mais de ninguém
pra seguir em frente.

Porque quem morre e volta,
não quer mais colo.

Quer céu.

O que eu tive... e nunca tive

Eu quase tive.

Quase tive uma família
daquelas que sentam pra comer
sem medo do silêncio da mesa.
Quase tive uma mulher que me chamava de amor
sem esconder o celular.

Quase tive domingos de paz,
e noites sem precisar adormecer fingindo estar cansado.
Quase tive um lar.
Quase fui prioridade.
Quase fui resposta rápida.
Quase fui o último pensamento antes de dormir.

Mas fui plano B.
Fui companhia de emergência.
Fui o que fazia ela esquecer que amava outro.
Fui pausa.
Nunca play.

Eu quase tive filhos crescendo vendo o amor de verdade,
mas tive que ensinar o João a se proteger com códigos,
porque o mundo que deram pra ele
tava sujo demais pra deixar ele sozinho.

E a Gabi...
Ah, a Gabi merecia me ver sorrindo.
Não só sobrevivendo.

Eu quase me amei.

Quase acreditei que era o bastante.
Quase entendi que o problema nunca foi minha entrega,
mas a mão podre que pegava tudo e jogava fora
como se eu fosse descartável.

E eu?
Eu fiquei.
Sempre fiquei.
Com o peito cheio de cortes,
cobrindo com fita isolante
só pra ninguém perceber que tava sangrando.

Fui o cara que escreveu poemas
pra quem não sabia ler sentimento.
Que vendeu os videogames,
os sonhos,
a liberdade —
pra ganhar um "não sei o que quero da vida"
como resposta.

E eu fiquei.

Até não sobrar mais nada,
nem eu.

Hoje, me pergunto se valeu.

Se valeu ter sido homem demais
num mundo onde isso é fraqueza.

Se valeu morrer por inteiro
por quem só sabia fazer parte
da destruição.

Mas aí eu lembro do João.
Da Gabi.
Do silêncio que agora é paz.
Do prato feito com gosto,
da casa limpa,
do peito leve.

E entendo:
o que eu quase tive, me fez ter tudo o que eu precisava.

Mas doeu.
Ainda dói às vezes.
Principalmente à noite,
quando eu percebo
que ninguém nunca voltou pra buscar o homem que ficou pra trás
esperando por um amor…
que só ele enxergava.

Do Lado de Cá da Dor

Eu já caí no abismo de gente vazia,

dei abraço em faca e beijo em mentira,
e achei que era amor.

Já gritei no escuro pedindo um sinal,
pra acordar num mundo menos desigual.
Mas o mundo respondeu com silêncio.

E quando eu quis parar,
desligar,
sumir,
foi a voz do meu filho que me trouxe de volta.
Foi o olhar da minha filha que me chamou de herói,
sem saber que eu só queria ser humano.

Eu sangrei pra ser abrigo,
calejei o coração pra ser colo.
E hoje eu entendo:
o que não me matou, me forjou.

Porque o amor que eu procurei em outros corpos,
já morava no sorriso deles.
O sonho que me abandonaram,
se reconstruiu com as mãozinhas pequenas
que me chamam de pai.

A dor não me possui mais.
Ela me serve.
Ela me molda.
Ela me ensina.

E se ainda escorre lágrima,
não é por quem me deixou,
é por quem ficou.

E por eles —
meu suor,
minha guerra,
meu recomeço.

Porque do lado de cá da dor...
Eu sou casa.
Eu sou chão.
Eu sou pai.

Filhos Não Sangram

Me disseram que amor é flor,

mas comigo sempre veio com espinho.

Me disseram que o mundo gira,
mas pareceu me girar no moinho.

Me deram promessas de abrigo,
e construíram só tempestade.
Me fizeram boneco no jogo,
mas esqueceram:
eu sou pai de verdade.

Me tiraram tudo que eu era,
me disseram que era o fim.
Mas esqueceram que eu nasci de novo
quando ouvi o primeiro "papai" vindo pra mim.

Não é clichê.
É sal, lágrima, fome e suor.
É fazer do pouco, um banquete,
é dormir no chão com orgulho e dizer:
"aqui, ninguém sente dor."

Porque filho não sangra.
Filho não pode doer.
Se for preciso, eu arranco a ferida do peito
pra que ele aprenda a viver.

Filho não sofre por erro de adulto,
filho não paga o que pai carregou.
Se eu chorei, calei ou morri por dentro,
foi só pra ele nunca saber o que a dor causou.

Eles — meu recomeço,
meu suspiro,
meu teto.

Enquanto o mundo me quebra,
eles me juntam em pedaço e afeto.

Então, se um dia perguntarem:
"Por que você ainda insiste?"
Respondo com o coração em carne viva:
"Porque eu sou pai. E ser pai é ser raiz."

E se o mundo quiser bater de novo,
que venha com tudo.

Mas saiba:
hoje eu apanho de pé.
E com meu filho no colo,
não caio mais nunca.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Mesmo que doa, eu fico

 É injusto, eu sei.

Chorar sozinho, se abraçar no escuro do próprio quarto, se segurar pra não explodir.

Falar com o espelho porque mais ninguém escuta.

E mesmo assim… continuar.


Eu sei o que é repetir pra si mesmo:

"Deus tá comigo. Eu me amo. Eu não posso me abandonar."

E mesmo com fé, com força, com tudo o que restou…

Ainda dói.


Às vezes, eu penso que agora vai.

Agora a vida vai sorrir.

Mas vem mais um tropeço, mais uma decepção, mais um silêncio onde eu esperava amor.

E eu só queria esquecer.

Caminhar.

Escrever.

Postar.


O mundo aqui dentro tá explodindo de ideias.

Mas a alma… tá exausta.


Mesmo assim…

Eu lembro.


Lembro dos dias em que tudo era prisão.

Em que amar me custava a paz.

E agora que estou livre…

Por que a pressa?

Por que essa dor de ver ela com alguém e eu não?


É orgulho? É carência?

Ou é só aquele eco da alma que diz:

"Eu também queria ser amado."


Mas eu entendi…

O amor da minha vida não era quem eu pensava.

Porque quem ama de verdade não foge. Não abandona. Não mente. Não trai.


Hoje, eu caminho por mim.

E quando doer demais,

Eu vou pra rua.

Eu vou suar o luto.

Eu vou transformar dor em músculo.

Solidão em foco.

E peso em superação.


Faltam só 8kg pra eu sair dos 100.

Logo eu, que já estive em 125.

Cada quilo ficou com uma lágrima no chão.

Mas cada passo agora é um "eu consegui" batendo no peito.


E quando eu entrar na academia,

não vai ser só o corpo que vai mudar.


Vai ser a minha vida.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Eu Só Tinha Um Coração"

Um dia, andando pelas ruas, tentando me encontrar,

Ouvi uma voz…
A sua voz.
E por um instante, ela conseguiu me acalmar.

Eu olhava pras minhas feridas, tentando me entender,
Mas cruzei o olhar com o seu…
E, por segundos, elas pareceram desaparecer.

Eu andei perdido, desistindo de viver,
Mas senti o seu toque,
E, por um momento, até a dor resolveu adormecer.

Eu cansei das mentiras.
Não conseguia mais me entregar.
Mas a sua presença fez parecer que o amor ainda podia respirar.

E quando eu me perguntava:
"O que eu fiz pra merecer ser feliz?"
Eu vi as suas asas —
Eram falsas.
E viraram tudo aquilo que eu sempre temi.

Você me deixou tão quebrado,
Que eu já nem conseguia mais entender…
Como alguém tão perfeito por fora
Carregava o inferno dentro de si, sem se arrepender.

Então eu orei.
Me entreguei.
Mas eu só tinha um coração.
E um coração sozinho…
Não compra um amor, não segura uma paixão.

Eu aceitei o caminho que sobrou e tentei me reconstruir.
Mas a cada dia, o peso do seu pecado
Faz o meu mundo inteiro ruir.

Hoje, eu já aceitei a dor.
E jurei:
Nunca mais me entregar.
Porque eu sei que aquilo que realmente me faz feliz…
Deus ainda vai me confiar.

E quando doer — porque vai doer —
E quando você perceber tudo o que perdeu…
Vai implorar pra voltar.
Mas não me procura.
Eu não estou mais aqui pra você.
Nem por você.

terça-feira, 17 de junho de 2025

Dona de Tudo

 Ela não sabe.

Mas tudo que escrevo
tem o nome dela escondido entre as linhas.
Mesmo quando falo de amor por outra,
é ela que meu coração soletra por dentro.

As músicas que eu componho,
as palavras que eu falo,
os silêncios que eu carrego…
são dela.
Cada verso, cada vírgula.
Cada suspiro de madrugada
é um grito calado chamando por ela.

Eu acordo com ela na lembrança,
levanto com ela nos ombros,
respiro com ela nos pulmões.
Ela mora no fundo do meu olhar
quando vejo minha filha sorrir,
quando abraço meu filho em silêncio.
Porque eu sei —
nosso tempo tinha limite.
A vida me levou pra outros caminhos,
mas nenhum deles me tirou dela.

Até o amor que eu dou pras pessoas
é o amor que eu queria ter dado pra ela.
O beijo que ofereço em outra boca
é o beijo que guardei, em vão, pra ela.
Ela é o que ficou em mim
depois que o mundo desabou.

Ela é dona da minha arte,
dona da minha dor,
dona da ternura que ainda me resta.
Ela é dona do que eu fui,
do que eu sou,
e até do que nunca vou conseguir ser.

E se um dia houver um depois…
um céu, uma eternidade,
uma chance de reencontro —
que me deixem ver só uma pessoa:
ela.
Porque de tudo que perdi,
de tudo que amei,
de tudo que vivi…
ela é a única que, sem saber,
me fez inteiro.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Poema de quem morreu e nasceu de novo - Do dia 12 ao dia 13

 Dia 12 de março, o mundo parou.

Uma surpresa cortou meu peito em silêncio.
Minha vida, que já andava no limite,
simplesmente... acabou.

Dia 13, eu me vi esvaziado,
pegando minhas coisas,
levando embora o pouco que sobrou de mim.
Foi o pior dia.
O tipo de dia que a alma grita e ninguém ouve.

Mas Deus ouviu.
Mesmo sem eu saber, Ele já estava escrevendo a resposta.
Enquanto eu caía,
Ele preparava o colo.

E então, três meses depois,
no mesmo dia 12, mas agora de junho,
veio outra surpresa.
Só que dessa vez, ela me devolveu o fôlego.
Me fez sorrir sem perceber,
falar com vontade,
viver com desejo.

E hoje, no dia 13,
eu não me despeço mais da vida.
Hoje eu a celebro.
Porque pela primeira vez em muito tempo,
ela me sorriu de volta.

Mas não, eu não vou postar isso em rede nenhuma.
Não por medo,
mas por proteção.
O que eu estou vivendo não cabe em legenda.
Não precisa de curtida.
Precisa de silêncio.
De cuidado.
De zelo.

Então, se você me ver postando copos, pratos,
flores, músicas...
saiba que no fundo,
é ela quem está lá.
Em tudo.
No pouco.
No tudo.

Hoje, eu me escolho.
Hoje, eu escolho não mostrar,
porque o que é real, a gente vive — não exibe.

E se Deus é por nós...
ah, meu irmão,
quem será contra?

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A Peça Que Faltava

 Eu queria te agradecer.

Eu estava num lugar tão escuro, que não enxergava mais nada à minha frente.
Achei que ali seria o fim da minha história.
Mas então... eu vi uma luz se aproximando.
No começo, confesso, eu tive medo.
Mas ela chegou devagar, iluminou tudo ao redor —
e, no meio da bagunça, me devolveu a vida.

Essa luz era você.

Você me deu forças pra me reencontrar.
Me devolveu o sorriso, a paz, e a vontade de continuar.
Por isso, eu te agradeço — com o coração inteiro.

Antes de você, eu estava perdido.
Com você, eu voltei a ser eu.

Obrigado por tudo.
Obrigado por me salvar.

Eu Era Refém e Não Sabia

 Por muito tempo, eu achei que estava em um lugar seguro.

A casa era limpa, o filho saudável, a geladeira cheia, o Wi-Fi funcionando.
Tudo no lugar. Tudo... como ela queria.

Eu me lembro da vez em que pensei em visitar minha mãe. Era o aniversário dela. Já estava até com a sacola pronta, presente embrulhado, ansioso pra vê-la sorrir.
Mas ela achou melhor não. Disse que minha presença podia causar confusão. Que minha mãe tinha energias estranhas.
— Melhor deixar pra outra hora — ela disse.
Nunca teve outra hora.

No mês seguinte, meus primos fizeram uma festa. Eu ri quando vi os vídeos depois, escondido no banheiro. Mas no dia…
Ela achou melhor eu não ir.
— Seus primos têm umas ideias estranhas, vão te encher a cabeça — disse.
E eu fiquei.

Comecei a reparar que os convites foram parando. Os amigos sumiram.
Mas ela dizia:
— Você tem tudo aqui. Eu, seu filho, nossa casa. O que mais você quer?

E eu me convencia. Porque amar também é ceder, né?
Amar é querer agradar.
Amar é entender que o outro só quer te proteger.
Ela só queria o melhor pra mim.
Era o que eu repetia toda noite, enquanto bebia sozinho, olhando a rua pela fresta da cortina.

Um dia, eu descobri. Não foi só uma mensagem. Foi um mundo inteiro escondido atrás de um sorriso que eu jurava ser verdadeiro.
A traição veio como uma faca cega: não cortou de uma vez, foi rasgando devagar.
E eu caí.

Caí tão fundo que pensei que ia morrer.

Mas foi ali que eu acordei.

No começo, só uma sensação estranha nos pulsos. Um incômodo.
Fui ver no espelho, e havia marcas.
Marcas finas, circulares, vermelhas — como se eu tivesse usado algemas por anos.
Nos tornozelos, as mesmas marcas.
No peito, nas costas, pequenos traços de uma tortura que eu nunca percebi sofrer.

Fiquei dias tentando entender. Sem dormir. Sem comer.
Como eu não vi?

Aos poucos, comecei a lembrar das vezes em que quis sair… e não saí.
Das vezes em que quis dizer “não”… e me calei.
Das vezes em que chorei no banho, e me culpei por estar triste.
E entendi.

Eu não estava casado.
Eu estava preso.
E ela era minha cela dourada, meu carcereiro sorridente.

Hoje, eu ando por aí com medo.
Medo de ser livre.
Medo de não saber mais escolher.
De me sentar num bar com amigos e não saber o que dizer.
De visitar minha mãe e não saber como abraçá-la.

Mas, mesmo com o medo, eu tô indo. Um passo por dia.
Porque agora eu vejo que liberdade…
é quando você pode amar sem perder a si mesmo.
É quando você pode sair — e ainda assim querer voltar.
É quando o seu “não” é respeitado… sem que precise virar guerra.

Eu era refém.
E não sabia.

Hoje, sou livre.
E tô aprendendo, devagarinho, a ser feliz.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

O Segredo Por Trás do Beijo

 Um dia roubaram o meu sorriso.

Levaram ele pra longe,
tão longe…
que até o eco dele
se perdeu no tempo.

Fiquei com a boca vazia,
as palavras secas,
e a alma muda.

Achei que nunca mais ia achar.
Que o riso tinha virado
lembrança,
só isso.

Mas quem diria, hein?

Ele tava escondido,
logo aonde?

Atrás do seu beijo —
quietinho,
feito segredo guardado em diário.
Feito sol nascendo no escuro.

Você nem sabe,
mas quando me beija...
me devolve o que o mundo levou.
E esse segredo?
É só nosso.

Silêncio.
Sorriso.
Beijo.
Fim.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Você Me Salvou de Mim — e Se Condenou Sozinha

 Eu vim aqui pra te agradecer.

Você conseguiu trazer à tona o melhor de mim pro mundo.

Eu nunca fui o verdadeiro — sempre o mentiroso.
Nunca o traído — sempre o traidor.
Eu fazia chorar, mas nunca chorava.
Nunca fui inteiro — sempre fui disfarce.

Todos os olhos, inclusive os seus,
sempre me observavam esperando meu próximo erro.
Todas as bocas, inclusive a sua,
falavam dos erros que, um dia, eu ainda cometeria.

Eu era o mentiroso.
O traidor.
O bandido.
O homem que não pensava nos filhos...

Mas aí veio você.

Com a doçura de alguém puro,
fiel à sua fé, à sua família —
e transformou tudo o que diziam que eu era…
em mentira.

Você me fez ser o homem que fala a verdade.
O que foi enganado, traído…
E ainda assim perdoa.
Me fez ser o pai, o amigo, o irmão.
Aquele que mesmo com falhas, tem alma limpa.

Você foi quem mostrou a todos — e a mim —
que o anjo era o demônio disfarçado.
E que eu…
eu era só um ser humano,
com defeitos como qualquer outro.

Mas mesmo que eu somasse todos os meus erros,
eu nunca chegaria aos pés do que você fez — e ainda faz.

Parabéns.
Você me colocou de volta no jogo.
E, finalmente,
mostrou a sua verdadeira face.

Não poderia ter sido melhor.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

O Maior Ato de Amor

 

O meu maior ato de amor
foi deixar partir quem mais amei,
foi entender que meu abraço,
pra ela, era cárcere — e não lar.
Foi morrer de pé,
pra deixá-la viver em paz.

Eu fui embora com o peito aberto,
sabendo que ela me amava,
e mesmo assim… eu deixei.
Mesmo sabendo que eu era abrigo,
e ela era o meu lar.

E hoje, eu peço o mesmo.
Me deixa partir.
Não me liga.
Não fala comigo.
Não me mostra nada.
Não me deseja nada.
Suma.
Desapareça.
Morra — como eu morri por amor.

A vida cobra.
A vida cobra caro.
E às vezes, o castigo é seguir em frente,
com a alma arrastada,
entre a morte e a vida,
entre o medo e a esperança,
entre amar e me fechar.

Mas eu sigo.
Cada segundo como se fosse o último.
Com medo.
Com desejo que seja.
E ainda assim —
eu sonho.

Eu sonho ser luz pros meus filhos,
esperança pra minha mãe,
fortaleza pra minha tia.
Sonho ser alguém grande.
Ser nome, ser história,
escrever meus livros, meus vídeos,
meus poemas…
Uma música minha na rádio um dia.

Eu ainda sonho.
E é por isso que eu vivo.
Porque eu amei —
e me matei por dentro.
Morri e fiz sofrer.
Sofri.

Mas sigo.
Porque o maior ato de amor é deixar ir.
E o maior ato de coragem
é continuar sonhando mesmo depois de morrer.

Scars – As cicatrizes que ela deixou (e que eu sobrevivi)

 

“Eu rasguei meu coração aberto... só pra te mostrar o que tinha dentro.”


Foi assim que tudo começou.
Acreditando que o amor curaria tudo.
Me doando por inteiro. Me entregando de verdade.
Achando que isso bastaria.

Mas o que a gente não espera...
É que nem todo mundo quer ser amado.
E tem gente que se alimenta do amor da gente até esvaziar.

Eu tentei.
Tentei ajudar.
Tentei ser suporte, ser paz, ser força.
Mas só empurravam tudo pra longe.
Empurravam a mim.

E ainda assim… eu continuei lá.
Afundando junto.
Porque amar às vezes é isso:
É sofrer calado, é acreditar no que já morreu.

As cicatrizes que eu carrego hoje...
Não são apenas de dor.
São marcas de sobrevivência.
Provas de que eu amei até onde não devia, mas sobrevivi mesmo assim.

E essa música... Scars...
Parece que fui eu quem escreveu.
Ela sangra tudo o que ficou preso no peito.
O amor, a dor, o abandono, a raiva.
Mas também a coragem de continuar mesmo ferido.

Hoje eu não peço mais que me entendam.
Eu não espero mais que me valorizem.
Hoje, eu apenas sigo.
Com as minhas cicatrizes.
Com a minha história.
Com o coração reconstruído na força.

Porque eu posso ter me rasgado por dentro…
Mas eu voltei. E dessa vez, por mim.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Carta do Vilão que Sobreviveu

 Disseram que eu era bom demais.

Disseram que meu coração era grande demais.
Disseram que amar tanto assim era bonito.
Até me deixarem sozinho no escuro com esse amor sangrando no peito.

Fui chamado de fraco porque chorei,
de louco porque perdoei,
de burro porque confiei —
quando tudo que eu queria era ter paz.

Mas a paz nunca veio.
Vieram as traições. As mentiras. O desprezo.
Vieram os dias em que eu olhava pro teto e perguntava:
"Deus, por que eu ainda estou aqui?"

Então eu morri.
Mas foi uma morte silenciosa.
Ninguém viu.
Só eu e Deus.

Morri ali, naquele dia em que ela me deixou com o peito cheio de verdades que ela nunca quis ouvir.
Morri quando meu filho sorriu pela última vez sem saber que eu estava em pedaços.
Morri quando minha bondade virou tapete.
Quando meu amor virou arma contra mim.

E foi aí que eu entendi.
Eu não nasci pra ser herói de ninguém.
Nasci pra ser o guardião da minha história.
O vilão dos que tentam me usar,
o pai dos meus filhos,
o dono da minha paz.

Hoje eu escrevo essa carta com a caneta da dor,
mas as linhas são firmes, e a mão não treme mais.
Porque pela primeira vez eu sei quem eu sou.

Eu sou aquele que sobreviveu.
Que passou pelo inferno e voltou com uma oração na boca e um plano no peito.
Não vou mais pedir permissão pra ser feliz.
Não vou mais implorar pra ser visto.

Agora eu amo quem eu quiser.
E quem quiser me amar…
que lute.
Porque eu não sou mais abrigo de tempestade alheia.
Eu sou minha própria muralha.

Sim, eu ainda choro.
Mas choro limpo.
Choro de quem tirou a armadura,
lavou o sangue da alma
e decidiu viver do jeito certo: com dignidade.

A todos os que já foram bons demais, fortes demais, sofredores calados demais…
essa carta é pra vocês.

Se ainda há dor,
ainda há vida.
E se há vida,
há recomeço.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O Homem Que Se Desmontou

 Era uma vez um homem feito de peças.

Não peças mecânicas, nem metálicas. Mas partes vivas, frágeis e fortes ao mesmo tempo — pedaços de amor, confiança, sonhos, promessas e fé. Durante muito tempo, ele caminhou inteiro. Alguns dias, com peso nos ombros. Outros, com leveza no peito. Mas ainda assim, inteiro.

Até que a vida, com suas mãos frias e palavras cortantes, começou a desmontá-lo.

Primeiro foi uma de suas mãos — aquela que segurava firme quem ele amava. Partiu-se quando foi solto por alguém que jurou nunca largar. Ele tentou colar. Tentou esconder. Mas a rachadura gritava em silêncio.

Depois foi seu peito. Quebrado quando acreditou demais. Quando amou sem medida e não foi amado da mesma forma. Foi ali que a dor começou a morar.

Ele caiu. Literalmente. E quando bateu no chão, outras partes se soltaram: o sorriso que usava para fingir que estava tudo bem, os olhos que enxergavam esperança mesmo na escuridão, os joelhos que dobravam em oração mesmo sem respostas.

Desmontado, ele ficou.

Por um tempo, ninguém percebeu. Alguns até passaram por ele, o olhar curioso, mas não pararam. Outros disseram: "Seja forte", sem saber que já não havia força alguma dentro.

Mas um dia...
Um dia ele se olhou nos cacos.
E pela primeira vez, não sentiu vergonha.

Ali, no chão, ele começou.
Com dedos feridos, pegou a si mesmo em pedaços.
Com lágrimas, limpou a poeira do que ainda restava.
Com silêncio, ouviu o que seu coração partido tinha a dizer.

Não foi rápido. Não foi bonito.

Algumas peças estavam longe demais.
Outras haviam sido levadas por pessoas que nunca devolveriam.
E certos pedaços... ele sabia: jamais voltariam.

Esses buracos doíam.
Mas ele decidiu que não viveria esperando o que se foi.
Com o tempo, o vazio se moldou.
E onde faltavam partes, o tempo passou com sua argamassa invisível.
Não reconstruiu igual, mas reconstruiu diferente.

Ele seguiu. Não inteiro. Mas verdadeiro.

Cada passo que dava colava uma peça nova.
Às vezes um gesto de amor sincero,
Às vezes o perdão que deu a si mesmo.
Às vezes apenas o silêncio que o fazia respirar.

E mesmo com buracos —
Sim, mesmo com buracos —
Ele encontrou beleza.

E quando olhava para trás, via no caminho alguns pedaços perdidos.
Não com tristeza, mas com honra.
Eram partes que serviram para construir quem ele era.
E mesmo ausentes, ainda o completavam.

Porque não é só o que se tem que nos define.
Mas também o que se sobrevive sem.

E assim, aquele homem que um dia se desmontou,
Se reconstruiu.
Peça por peça.
Dor por dor.
Até que um dia, olhou no espelho
E viu alguém novo.

Não perfeito.
Mas inteiro o suficiente para seguir

Do Herói ao Vilão

 Um dia me chamaram de herói,

Quando sorri com o peito em ruínas,
Quando abracei o mundo com os braços feridos,
Quando engoli o choro só pra manter a paz.

Fui o que aguentou tudo calado.
O que dizia “vai passar”, mesmo desmoronando por dentro.
O que protegia, o que lutava, o que sonhava...
E que, no fim, cansou.

Mas ninguém quer saber da dor do herói,
Querem apenas que ele continue forte,
Mesmo quando o escudo já quebrou,
Mesmo quando a armadura virou fardo.

E então, um dia... eu caí.
E por cair, virei vilão.
Porque parei de salvar,
Porque comecei a pensar em mim,
Porque não quis mais morrer em silêncio.

Me pintaram com cores que nunca usei.
Me deram falas que nunca disse.
E o mesmo palco onde aplaudiram meu esforço,
Foi o mesmo onde me apedrejaram quando tropecei.

Mas querem saber?
Eu não sou vilão.
Sou só um homem que se perdeu nas suas próprias batalhas,
Que tentou demais, e amou demais,
Que deu tanto de si que não restou mais nada,
E que, no fim, se viu fragmentado.

Se cada lágrima que derramei, cada erro que cometi,
Me torna alguém do mal aos olhos de quem não me entendeu,
Eu aceito esse fardo.
Aceito carregar o peso da minha dor,
Do meu sofrimento, das minhas escolhas,
Porque sei que tudo isso, tudo o que passei,
Foi o preço que paguei para ser quem sou agora.

E se ser vilão é a forma de enxergarem quem me tornei,
Então que seja.
Porque no fim, quem carrega a alma ferida é o único que sabe
O peso de cada cicatriz e o valor da superação.

Aceito ser o vilão,
Se isso significa que pude viver e aprender.
E, no final, talvez até ser mais forte por isso.
Sim, aceito.
Porque, ao contrário do que pensam,
Eu já venci todas as minhas batalhas.
E o maior inimigo, fui eu mesmo

E se Deus pudesse nos ouvir?

 E se Deus pudesse nos ouvir

Com os ouvidos voltados só pra nós,
No silêncio da dor que ninguém vê,
Na lágrima que escapa no travesseiro calado?

Será que Ele entenderia
Que às vezes a fé treme?
Que o joelho dobra, mas o coração ainda sangra?
Que orar com voz firme não significa não estar quebrado?

E se Deus pudesse nos ouvir
Nos dias em que gritamos por dentro,
Quando o mundo parece injusto demais
E até respirar dói como castigo?

Talvez Ele nos lembrasse
Que mesmo na tempestade Ele está ali,
Que não são só os fortes que Ele abraça,
Mas os cansados, os sujos, os esquecidos.

E se Deus nos ouvisse naquele dia
Em que perdemos tudo?
Quando fomos traídos, deixados, humilhados?
Será que Ele chorou conosco em silêncio?

E se Deus nos ouvisse agora,
Neste exato segundo?
Será que Ele veria o amor que ainda temos,
A vontade de recomeçar,
O pacto feito entre pai e filho de nunca desistir?

Talvez Ele já tenha nos ouvido.
Talvez, no abraço do nosso filho,
Na força que surge do nada,
No som de uma música que toca no momento certo —
Talvez Ele fale, mesmo quando cala.

E se Deus puder nos ouvir...
Então que Ele saiba:
Ainda estamos aqui.
Machucados, mas vivos.
Com medo, mas de pé.
Com dúvidas, mas fé.

Porque se Deus pode nos ouvir,
Então, mesmo em silêncio,
A resposta sempre vem.

E SE MINHAS FERIDAS FALASSEM?

 

E se minhas feridas falassem,
Elas gritariam o nome que tentei esquecer.
Contariam das noites em que chorei calado,
Deitado ao lado do silêncio…
Abraçado ao vazio onde antes havia amor.

Elas falariam de promessas quebradas,
De sorrisos forçados na frente do espelho,
De uma criança me olhando nos olhos
E me perguntando, sem saber:
“Vai ficar tudo bem, pai?”

Minhas feridas lembrariam o dia exato
Em que minha confiança foi estraçalhada,
Não por um inimigo,
Mas por quem eu entreguei tudo,
Até mesmo o que eu nunca soube que tinha.

Elas diriam o quanto doeu ver meu filho sorrindo
Sem saber que o pai dele sangrava por dentro.
Contariam que eu aguentei firme,
Mesmo quando minha coluna gritava,
Mesmo quando a alma implorava pra desistir.

E se minhas feridas falassem,
Elas contariam que eu amei.
De verdade.
Sem máscaras.
Sem reservas.
E que fui traído.
Pelo destino. Pela vida.
E por quem dizia me amar.

Mas também…
Elas falariam da força que nasceu do pó,
Do renascer ao lado do meu pequeno herói,
De uma nova mulher que me ensinou
Que o amor pode ser paz,
E não guerra.

Minhas feridas diriam que cicatrizes doem
Mesmo depois de curadas,
Mas também mostrariam
Que estou em pé.
E ainda sonho.
E ainda amo.
E ainda luto.

Se minhas feridas falassem…
Elas contariam toda a verdade.
E mesmo assim,
Eu ainda seria o mocinho da minha história.