quinta-feira, 8 de maio de 2025

Do Herói ao Vilão

 Um dia me chamaram de herói,

Quando sorri com o peito em ruínas,
Quando abracei o mundo com os braços feridos,
Quando engoli o choro só pra manter a paz.

Fui o que aguentou tudo calado.
O que dizia “vai passar”, mesmo desmoronando por dentro.
O que protegia, o que lutava, o que sonhava...
E que, no fim, cansou.

Mas ninguém quer saber da dor do herói,
Querem apenas que ele continue forte,
Mesmo quando o escudo já quebrou,
Mesmo quando a armadura virou fardo.

E então, um dia... eu caí.
E por cair, virei vilão.
Porque parei de salvar,
Porque comecei a pensar em mim,
Porque não quis mais morrer em silêncio.

Me pintaram com cores que nunca usei.
Me deram falas que nunca disse.
E o mesmo palco onde aplaudiram meu esforço,
Foi o mesmo onde me apedrejaram quando tropecei.

Mas querem saber?
Eu não sou vilão.
Sou só um homem que se perdeu nas suas próprias batalhas,
Que tentou demais, e amou demais,
Que deu tanto de si que não restou mais nada,
E que, no fim, se viu fragmentado.

Se cada lágrima que derramei, cada erro que cometi,
Me torna alguém do mal aos olhos de quem não me entendeu,
Eu aceito esse fardo.
Aceito carregar o peso da minha dor,
Do meu sofrimento, das minhas escolhas,
Porque sei que tudo isso, tudo o que passei,
Foi o preço que paguei para ser quem sou agora.

E se ser vilão é a forma de enxergarem quem me tornei,
Então que seja.
Porque no fim, quem carrega a alma ferida é o único que sabe
O peso de cada cicatriz e o valor da superação.

Aceito ser o vilão,
Se isso significa que pude viver e aprender.
E, no final, talvez até ser mais forte por isso.
Sim, aceito.
Porque, ao contrário do que pensam,
Eu já venci todas as minhas batalhas.
E o maior inimigo, fui eu mesmo

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