quinta-feira, 8 de maio de 2025

E SE MINHAS FERIDAS FALASSEM?

 

E se minhas feridas falassem,
Elas gritariam o nome que tentei esquecer.
Contariam das noites em que chorei calado,
Deitado ao lado do silêncio…
Abraçado ao vazio onde antes havia amor.

Elas falariam de promessas quebradas,
De sorrisos forçados na frente do espelho,
De uma criança me olhando nos olhos
E me perguntando, sem saber:
“Vai ficar tudo bem, pai?”

Minhas feridas lembrariam o dia exato
Em que minha confiança foi estraçalhada,
Não por um inimigo,
Mas por quem eu entreguei tudo,
Até mesmo o que eu nunca soube que tinha.

Elas diriam o quanto doeu ver meu filho sorrindo
Sem saber que o pai dele sangrava por dentro.
Contariam que eu aguentei firme,
Mesmo quando minha coluna gritava,
Mesmo quando a alma implorava pra desistir.

E se minhas feridas falassem,
Elas contariam que eu amei.
De verdade.
Sem máscaras.
Sem reservas.
E que fui traído.
Pelo destino. Pela vida.
E por quem dizia me amar.

Mas também…
Elas falariam da força que nasceu do pó,
Do renascer ao lado do meu pequeno herói,
De uma nova mulher que me ensinou
Que o amor pode ser paz,
E não guerra.

Minhas feridas diriam que cicatrizes doem
Mesmo depois de curadas,
Mas também mostrariam
Que estou em pé.
E ainda sonho.
E ainda amo.
E ainda luto.

Se minhas feridas falassem…
Elas contariam toda a verdade.
E mesmo assim,
Eu ainda seria o mocinho da minha história.

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