terça-feira, 17 de junho de 2025

Dona de Tudo

 Ela não sabe.

Mas tudo que escrevo
tem o nome dela escondido entre as linhas.
Mesmo quando falo de amor por outra,
é ela que meu coração soletra por dentro.

As músicas que eu componho,
as palavras que eu falo,
os silêncios que eu carrego…
são dela.
Cada verso, cada vírgula.
Cada suspiro de madrugada
é um grito calado chamando por ela.

Eu acordo com ela na lembrança,
levanto com ela nos ombros,
respiro com ela nos pulmões.
Ela mora no fundo do meu olhar
quando vejo minha filha sorrir,
quando abraço meu filho em silêncio.
Porque eu sei —
nosso tempo tinha limite.
A vida me levou pra outros caminhos,
mas nenhum deles me tirou dela.

Até o amor que eu dou pras pessoas
é o amor que eu queria ter dado pra ela.
O beijo que ofereço em outra boca
é o beijo que guardei, em vão, pra ela.
Ela é o que ficou em mim
depois que o mundo desabou.

Ela é dona da minha arte,
dona da minha dor,
dona da ternura que ainda me resta.
Ela é dona do que eu fui,
do que eu sou,
e até do que nunca vou conseguir ser.

E se um dia houver um depois…
um céu, uma eternidade,
uma chance de reencontro —
que me deixem ver só uma pessoa:
ela.
Porque de tudo que perdi,
de tudo que amei,
de tudo que vivi…
ela é a única que, sem saber,
me fez inteiro.

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