domingo, 26 de outubro de 2025

Quando ele se vai

Quando ele se vai,
fica aquele silêncio que grita.
O quarto parece maior,
a cama parece fria demais,
e os dias…
ah, os dias se arrastam como séculos.

Quatorze dias.
Quatorze eternidades.
Pra viver apenas dois dias que passam como segundos.
Dois dias em que o mundo volta a respirar,
em que o riso é de verdade,
e o olhar diz tudo o que as palavras ainda não podem dizer.

Quando ele se vai,
eu aprendo a fingir.
Finjo que tá tudo bem,
que eu não conto as horas,
que eu não sinto o corpo doer de saudade.
Mas dentro de mim,
cada minuto é uma oração disfarçada de espera.

Ele diz que tá feliz,
que tá bem,
mas eu conheço o tom.
Aquela pausa antes da risada,
o peso nas entrelinhas.
Eu sei — ele carrega segredos demais,
como quem segura um universo dentro do peito
só pra não me machucar.

E mesmo assim,
a gente segue.
Ele lá, eu aqui,
presos no mesmo sonho,
separados pelo tempo,
mas unidos pela promessa
de que um dia… um dia o tempo vai ser nosso.

Quando ele se vai,
eu aprendo a amar no silêncio,
a sorrir na distância,
a acreditar sem provas.
E mesmo que o mundo me diga que é loucura,
eu sei —
a fé também é isso:
esperar o impossível
de olhos abertos.

Então eu espero.
Porque quando ele se vai,
a minha alma não chora —
ela apenas conta os dias
até ele voltar.

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