Heroína nascida da lama.
Vilão nascido do perdão.
Te achei sem casa, sem diploma, sem futuro —
não veio amor, veio pena.
Sangrei para guardar a dor só pra mim;
dei minha casa, meu emprego, meu diploma,
dei lealdade selada no caos.
Você dizia: “há dois de você.”
Conhecia os dois — eu nunca escondi.
Mas o meu lugar foi o seu teste:
fiquei sem nada e descobri teu superpoder:
a traição como arte, a mentira como escudo.
Quis te vencer com raiva; quis te devolver o que me fez.
Mas longe de você reencontrei força.
Você drenava meu sangue — abuso feito carinho;
seus poderes quase me venceram.
Deus sussurrou: “não dura até fevereiro.”
E me poupou.
Hoje te vejo de longe — ainda atuando, ainda fingindo.
O que sinto é pena:
pena de quem vive em mentira,
pena de quem não pode aceitar-se,
pena de quem perde o que amou por escolha própria.
Use tudo até se esgotar. Quando ele partir, o peso cairá.
E eu?
Eu encerro a guerra com pena.
Só pena.
E distância.
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