Você já parou pra pensar por que, quando alguém fala em “demônio”, a gente imagina logo uma criatura horrenda?
Chifres, olhos vermelhos, dentes pontiagudos, fogo saindo pelas narinas...
Pois é. Essa é a imagem que o homem criou pra nos convencer de que o mal sempre tem cara de monstro.
Mas e se eu te disser que o demônio mais perigoso que existe pode ter um rosto lindo, um perfume suave e um sorriso que faz teu peito acelerar?
Durante muito tempo, eu também achei que o diabo era uma figura distante, uma invenção simbólica. Mas um dia eu descobri que ele não precisa aparecer de forma grotesca — ele se disfarça de tudo aquilo que você mais deseja.
Ele se veste de amor, de carinho, de atenção. Ele fala do jeito que você sempre quis ouvir.
Te olha com aquele brilho que te faz esquecer de si mesmo.
E quando você menos percebe, já está ajoelhado diante dele, achando que encontrou a salvação.
O demônio que quase acabou com a minha vida não tinha garras, nem asas queimadas.
Tinha mãos delicadas, olhos doces e uma voz que me fazia acreditar em milagres.
E foi assim, disfarçado de amor, que ele me destruiu.
Me fez duvidar da minha fé, do meu valor, de tudo o que eu era.
E quando eu percebi, já não existia mais o “eu” — só um reflexo distorcido do que restava de mim.
O mais cruel é que a gente não percebe o momento em que a alma começa a apodrecer.
A destruição não vem de uma vez.
Ela vem em doses pequenas, sutis, como veneno misturado ao vinho.
Primeiro vem a culpa. Depois, a confusão. E por fim, o vazio.
O demônio se alimenta disso — do que você sente, do que você entrega, do que você perde tentando consertar o que já nasceu errado.
Mas sabe o que aprendi?
Nem todo mal vem pra te derrubar. Alguns vêm pra te revelar.
Porque depois que você encara um demônio de perto — um demônio bonito, daqueles que te hipnotizam com o olhar — você nunca mais é o mesmo.
Você aprende a desconfiar do brilho fácil, da fala doce demais, do “eu te amo” que soa ensaiado.
Você passa a olhar o mundo com outros olhos.
E entende que o verdadeiro inferno não é o de fogo… é o de se ver preso num amor que te consome enquanto finge te salvar.
Hoje, quando me perguntam como é o rosto do mal, eu sorrio.
E digo: o mal tem o rosto de quem um dia eu amei.
E o inferno?
Ah, o inferno foi o tempo que levei pra me libertar dele.
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