quinta-feira, 23 de outubro de 2025

E se eu só me amar?

E se, dessa vez, eu não quiser mais salvar ninguém?

Se eu não quiser mais consertar corações quebrados,
nem provar que ainda existe amor no mundo?

E se eu só quiser me amar?
Sem precisar ser o herói,
sem precisar ser o vilão,
sem precisar ser nada além de mim?

Eu já me entreguei inteiro,
já sangrei pra manter quem não queria ficar.
Já ajoelhei pedindo pra Deus curar o que não era pra ser curado.

Mas agora eu quero só… paz.
Quero o silêncio do meu quarto limpo,
a xícara de café quente,
meu filho rindo no sofá,
e a sensação de que o peso se foi.

Talvez o amor que eu procurava
era o que eu devia ter guardado pra mim o tempo todo.

Então chega.
Chega de me doar pra quem não sabe segurar.
Chega de me despedaçar pra provar que sou inteiro.

Hoje eu escolho me amar.
Mesmo com as cicatrizes,
mesmo com as falhas,
mesmo com as quedas.

Porque só quem já foi destruído
sabe o valor de se reconstruir.

E se eu só me amar…
talvez, pela primeira vez,
alguém me ame do jeito certo —
vendo o homem que eu me tornei
quando aprendi a me bastar.

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