Dizem que ele nasceu pra sofrer,
que a vida o testou mais do que devia,
que o amor, quando chegou,
veio disfarçado de ferida.
Ele caiu tantas vezes
que o chão aprendeu seu nome,
mas toda vez que o mundo o apagava,
Deus soprava e dizia:
“Levanta, filho, ainda não é o fim.”
Ele amou até doer.
Entregou o coração como quem oferece o último pedaço de pão,
e o viu ser jogado fora,
como se sentimento fosse resto.
Mas ele não desistiu.
Porque no fundo da alma,
ele sabia que cada lágrima era tijolo
na casa que Deus estava construindo dentro dele.
Vieram os dias sem cor,
as noites sem som,
as promessas quebradas,
os amigos que sumiram.
E mesmo assim,
ele não desistiu.
O inferno tentou se fazer lar,
a solidão tentou se fazer consolo,
mas ele aprendeu que até o escuro
se curva diante de quem carrega fé.
Um dia, cansado, ele olhou pro céu e disse:
“Senhor, eu não quero mais força,
eu só quero entender o porquê.”
E Deus respondeu no silêncio:
“Você não precisa entender,
só precisa continuar.”
E ele continuou.
Com o corpo cansado, o coração remendado,
mas com um brilho novo no olhar.
Hoje ele não busca aplausos,
não precisa provar nada pra ninguém.
Porque aprendeu que o verdadeiro milagre
não é vencer o mundo —
é não desistir de si mesmo.
Ele não venceu fácil.
Mas venceu limpo.
Venceu orando.
Venceu amando.
E se hoje ele sorri,
é porque o sorriso dele carrega o peso de todas as guerras que ele sobreviveu.
Ele é o homem que não desistiu.
E é por isso que o céu se orgulha quando o vê de pé.
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