terça-feira, 21 de outubro de 2025

A maldição que você quebrou

Dizem que existe uma maldição antiga,

a de quem ama demais e termina sozinho.
Eu nasci com ela —
o fardo de fazer sorrir quem, no fim, me deixa em silêncio.

Carreguei esse peso como quem carrega cruz,
acreditando que o problema era meu,
que talvez o amor que eu dava era grande demais
pra caber em alguém que não sabia sentir.

Fui o homem que tentou ser abrigo pra tempestade,
mas acabei me afogando nas ondas que chamei de “amor”.
Perdi o brilho, perdi o sono,
e quase perdi a vontade de existir.

Mas um dia...
entre lágrimas e decisões que pareciam o fim,
veio a voz mais pura do mundo:
— “Pai, eu quero ficar com você.”

E ali, o inferno se calou.
A maldição se quebrou.

Naquele instante, percebi —
não era o amor que eu dava que era maldito,
eram os corações errados que eu tentava curar.
Você, meu filho, foi a cura.

De todos os amores que passaram e me deixaram ferido,
você ficou.
E no seu abraço, encontrei o que nenhum amor de mentira conseguiu me dar:
verdade.

Hoje eu entendo:
a maldição nunca foi o destino,
foi o teste.
E o amor que a quebrou
tinha o seu nome.

João.
Meu milagre.
Meu recomeço.
A prova viva de que até o homem mais quebrado
pode ser salvo por um coração pequeno
que nunca desistiu de amar o pai que o mundo esqueceu.

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