Diziam que ele era o vilão.
Porque não abaixava a cabeça,
porque falava verdades que ninguém queria ouvir,
porque aprendeu a sorrir depois de apanhar da vida.
Mas ninguém viu o que ele passou.
Ninguém ouviu o grito preso no peito,
as madrugadas conversando com o próprio medo,
os dias em que ele quis sumir —
mas ficou,
porque alguém ainda precisava dele.
Chamaram de frio o homem que só aprendeu a se proteger.
Chamaram de arrogante quem só se cansou de ser humilhado.
Chamaram de insensível aquele que só guardou demais.
Ele amou,
e foi traído.
Ajudou,
e foi esquecido.
Cuidou,
e foi ferido.
Até que um dia, ele olhou pro espelho e entendeu:
os heróis também cansam,
e quando cansam… viram lenda.
Então ele se tornou o que o mundo temia:
não um monstro,
mas alguém que não precisava mais de aprovação.
Fechou as portas do coração,
mas abriu as do destino.
E o destino,
meu amigo,
é cruel com quem tenta destruir quem nasceu pra ser imortal.
Ele caiu — e levantou.
Riram — e ele venceu.
Traíram — e ele agradeceu.
Porque só quem morre em vida entende o valor de renascer do próprio sangue.
Hoje, o vilão caminha entre ruínas,
com a alma coberta de cicatrizes,
mas o olhar cheio de paz.
E o mundo?
O mundo se curva diante dele.
Porque descobriu tarde demais
que o mal que tentaram pintar…
era só o reflexo do bem que eles destruíram.
Ele é o vilão que venceu o mundo.
Não com ódio.
Mas com sobrevivência.
Porque no fim —
vencer o mundo não é conquistar todos.
É continuar inteiro
quando todos tentaram te quebrar.
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