terça-feira, 14 de outubro de 2025

E Se Deus Falasse Com Ela?

E se Deus falasse com ela,

Ele não chegaria gritando.
Não apontaria o dedo,
não traria trovões nem castigos.
Ele chegaria em silêncio…
como quem vem lembrar o que ela tentou esquecer.

Ele diria:
“Eu te vi quando mentiu olhando nos olhos dele.
Vi quando ele acreditou em cada palavra,
e mesmo assim escolheu te amar.
Vi quando ele te defendeu dos próprios medos,
quando carregou tua dor nas costas,
e você o chamou de vilão.

Eu vi, filha.
Eu vi tudo.”

E Deus diria ainda:
“Você pediu pra Eu te tirar do sofrimento,
mas quando Eu te dei um amor puro,
você o tratou como prisão.
Você jurou fidelidade no altar,
e quebrou o juramento antes de quebrar o silêncio.
E depois chamou isso de liberdade.”

Talvez ela tentasse se justificar,
dizendo que se perdeu, que não sabia o que sentia.
Mas Ele responderia com calma,
olhando dentro dela até o fundo da alma:
“Não foi falta de amor que te condenou.
Foi falta de verdade.”

E então, Deus mostraria o rosto do menino —
a inocência que carrega o peso dos segredos dela.
“Olha bem pra ele”,
diria o Senhor.
“É por causa dele que o homem que você destruiu ainda está de pé.
É por causa dele que aquele coração que você feriu ainda acredita em mim.”

E talvez, pela primeira vez,
ela chorasse de verdade.
Não por arrependimento,
mas porque entenderia o que perdeu:
um amor que foi enviado pra salvá-la,
e que ela escolheu crucificar.

E Deus, com toda a misericórdia que ainda resta, diria:
“Eu te perdoo, filha.
Mas há feridas que nem o tempo cura —
só o arrependimento.
E até o dia em que o seu for sincero,
tudo o que você tocar vai carregar o gosto do que você destruiu.”

E antes de partir,
Ele deixaria apenas uma última frase no ar,
como eco, como sentença e como esperança:

“Você nunca entendeu,
mas ele não era seu castigo.
Ele era a sua chance de ser salva.”

Nenhum comentário: