Se eu ainda sinto algum amor?
Não.
E não, eu não acho isso estranho.
Eu tenho uma teoria sobre isso…
Acho que todo o amor que eu senti por ela
tava nos trinta e cinco quilos que eu perdi no meu processo de cura.
Cada lágrima virou suor,
cada lembrança virou peso,
e quando esse peso saiu,
levou o amor junto.
Foi embora com tudo que me fazia mal,
com tudo que me mantinha preso.
E eu deixei ir.
Hoje, não sinto nada.
Talvez o “eu” que morreu um dia ainda sinta —
mas ele ficou lá atrás,
junto com tudo que eu já não sou.
É só uma teoria,
coisa que me veio na cabeça agora,
nada que me tire o sono.
Até porque, pra ser sincero,
eu tô pouco me fodendo
pro que eu sinto por ela,
ou pro que ela sente por mim.
Isso não me importa mais.
Já tem tempo.
E se você não tivesse perguntado…
eu nem teria lembrado
que um dia eu fui ferido.
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