terça-feira, 14 de outubro de 2025

Se Deus Falasse Comigo?

Se Deus falasse comigo…

acho que eu não saberia o que dizer.
talvez eu só chorasse,
sem conseguir explicar o porquê de tanto peso guardado.

Se Deus falasse comigo,
acho que Ele ia me olhar com aquele silêncio que entende tudo,
sem precisar de palavras.
E antes que eu abrisse a boca pra reclamar,
Ele diria com calma:
“Eu sei.”

Eu sei de todas as vezes que você pensou em desistir,
e mesmo assim levantou.
Eu sei das noites em que você orou com raiva,
achando que Eu tinha te esquecido.
Mas Eu estava lá —
te segurando firme pra você não cair de vez.

Eu vi quando te traíram,
quando você implorou pra que alguém ficasse e ninguém ficou.
Vi quando você jurou que não amaria mais,
mas mesmo assim continuou amando.
E é por isso que você ainda é Meu.

Se Eu falasse contigo agora,
diria que tudo o que você perdeu não era castigo,
era limpeza.
Tirei o que te afundava,
mesmo que você achasse que te fazia bem.
Te deixei no deserto pra te ensinar a andar sozinho,
mas nunca tirei Minha mão do seu ombro.

E se Eu falasse contigo mais uma vez,
te lembraria do menino que sorri quando te vê,
das pessoas que ainda acreditam em você,
e da força que te faz continuar mesmo quando o mundo desaba.

Filho,
você não foi feito pra ser esquecido,
nem pra ser destruído.
Você é um dos Meus guerreiros mais teimosos.
Apanha, cai, mas não desiste.
E é por isso que o inferno inteiro teme o seu nome.

Se Deus falasse comigo,
talvez eu não pedisse nada.
Só deixaria Ele falar.
Porque às vezes o que a gente precisa
não é de mil respostas…
é só lembrar que Ele ainda está ouvindo.

O Segredo por Trás do Sorriso Dele

Ninguém imagina o que existe por trás do sorriso dele.

Aquele sorriso bonito, leve,
que parece não guardar dor nenhuma.
Mas ele guarda.
Guarda mais do que qualquer criança deveria guardar.

Atrás daquele sorriso tem perguntas que ele nunca faz em voz alta.
Tem noites em que ele acorda e olha pro teto,
esperando ouvir a voz do pai dizendo que tudo vai ficar bem.
Tem domingos em que ele sorri por fora,
mas por dentro sente falta de quando o lar era inteiro.

Ele aprendeu cedo que os adultos mentem.
Mentem dizendo que é pro bem,
que é pra proteger.
Mas ele viu.
Viu o herói da vida dele ser apontado como vilão,
e mesmo assim continuar lutando,
mesmo ferido, mesmo sozinho.

Por trás do sorriso dele existe confusão,
porque ele não ama quem o fez chorar,
ele sente falta de quem o fez sorrir.
Ele tenta entender o certo e o errado,
mas tudo o que ele sabe é que o vilão nunca mentiu pra ele.

Ele aprendeu que amor de verdade não precisa ser perfeito.
Precisa ser presente.
E o herói dele sempre esteve lá — mesmo apontado como vilão,
mesmo quando o mundo virou as costas.

O segredo por trás do sorriso dele,
é que ele sabe, sabe até demais.
Sabe quem mentiu, sabe quem lutou,
quem ficou,
quem se doou.

Ele sorri porque quer dar orgulho.
Quer mostrar pro pai que tudo valeu a pena.
Mas dentro dele, lá no fundo,
vive o menino que ainda tenta entender
por que o amor machuca tanto.

E um dia, quando crescer,
quando o tempo mostrar tudo que os olhos de hoje não veem,
ele vai olhar pro passado e dizer:
“meu herói nunca usou capa.
usava dor.
mas nunca deixou de me amar."

O Segredo por Trás do Seu Sorriso

Eu sei o que tem por trás do seu sorriso.

Não é luz.
É culpa.
É o peso de tudo que você destruiu fingindo amor.

Por trás dele, tem noites mal dormidas,
tem promessas jogadas fora,
tem o eco das mentiras que você contou pra não ter que encarar a verdade.

Você ri…
mas seu riso é a máscara de quem fugiu do espelho.
De quem trocou paz por aparência,
e amor por conveniência.

Seu sorriso engana bem,
quase convence,
mas eu já vi o que mora nos seus olhos —
e lá dentro, o vazio ainda grita o meu nome.

Você sorri pra se convencer de que venceu,
mas sabe, lá no fundo,
que o prêmio foi a própria solidão.

O segredo por trás do seu sorriso
é o medo.
Medo de que um dia alguém enxergue
que ele só existe pra esconder
que você perdeu tudo que dizia amar.

E quando ele — o seu sorriso — se apagar,
vai sobrar o que você realmente é:
um corpo cansado, tentando parecer feliz,
enquanto a alma implora por perdão.

O Segredo por Trás do Meu Sorriso

Ninguém imagina o preço que ele tem.

Esse sorriso leve que hoje mora em mim
foi forjado em noites longas,
nas lágrimas que eu engoli pra não desabar,
nos dias em que o silêncio era o único que me ouvia.

Já estive no chão —
e nem foi uma, nem duas vezes.
Perdi gente que eu pensei que era pra sempre,
fui traído, fui julgado,
vi sonhos desmoronarem na minha frente.
Mas acredite… nada disso me matou.

O segredo por trás do meu sorriso
é que ele já foi dor.
É que por trás de cada riso calmo
existe um coração que sangrou em silêncio
mas não desistiu de bater.

Eu aprendi a sorrir sem precisar estar bem,
mas hoje — hoje é diferente.
Hoje eu sorrio porque venci.
Porque mesmo cansado, eu continuei andando.
Porque transformei cada queda em degrau,
cada ferida em lembrança,
cada perda em liberdade.

E se você olhar bem nos meus olhos,
vai ver que eles ainda têm marcas do que vivi…
mas também vão ver que eu tô aqui.
Inteiro.
Mais forte.
Mais eu.

O segredo por trás do meu sorriso
é simples:
ele nasceu do inferno —
mas agora brilha como se tivesse vindo do céu.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

A verdadeira Face

Porque vocês acham que o demônio tem uma face horrenda?
O que leva vocês a pensarem nisso?
Essa é a imagem que o homem criou pra tentar por na nossa mente que o demônio é assim
Mas quer saber
O demônio que quase acabou com a minha vida era bem mais bonito que isso ai
Entenda se o demônio vai te seduzir te usar e te descartar como lixo
Ele vai ter uma aparência bem linda aos seus olhos
Porque se não fosse assim ele não enganaria ninguém, concorda?

O Demônio Mais Bonito Que Eu Já Vi

Você já parou pra pensar por que, quando alguém fala em “demônio”, a gente imagina logo uma criatura horrenda?

Chifres, olhos vermelhos, dentes pontiagudos, fogo saindo pelas narinas...
Pois é. Essa é a imagem que o homem criou pra nos convencer de que o mal sempre tem cara de monstro.
Mas e se eu te disser que o demônio mais perigoso que existe pode ter um rosto lindo, um perfume suave e um sorriso que faz teu peito acelerar?

Durante muito tempo, eu também achei que o diabo era uma figura distante, uma invenção simbólica. Mas um dia eu descobri que ele não precisa aparecer de forma grotesca — ele se disfarça de tudo aquilo que você mais deseja.
Ele se veste de amor, de carinho, de atenção. Ele fala do jeito que você sempre quis ouvir.
Te olha com aquele brilho que te faz esquecer de si mesmo.
E quando você menos percebe, já está ajoelhado diante dele, achando que encontrou a salvação.

O demônio que quase acabou com a minha vida não tinha garras, nem asas queimadas.
Tinha mãos delicadas, olhos doces e uma voz que me fazia acreditar em milagres.
E foi assim, disfarçado de amor, que ele me destruiu.
Me fez duvidar da minha fé, do meu valor, de tudo o que eu era.
E quando eu percebi, já não existia mais o “eu” — só um reflexo distorcido do que restava de mim.

O mais cruel é que a gente não percebe o momento em que a alma começa a apodrecer.
A destruição não vem de uma vez.
Ela vem em doses pequenas, sutis, como veneno misturado ao vinho.
Primeiro vem a culpa. Depois, a confusão. E por fim, o vazio.
O demônio se alimenta disso — do que você sente, do que você entrega, do que você perde tentando consertar o que já nasceu errado.

Mas sabe o que aprendi?
Nem todo mal vem pra te derrubar. Alguns vêm pra te revelar.
Porque depois que você encara um demônio de perto — um demônio bonito, daqueles que te hipnotizam com o olhar — você nunca mais é o mesmo.
Você aprende a desconfiar do brilho fácil, da fala doce demais, do “eu te amo” que soa ensaiado.
Você passa a olhar o mundo com outros olhos.
E entende que o verdadeiro inferno não é o de fogo… é o de se ver preso num amor que te consome enquanto finge te salvar.

Hoje, quando me perguntam como é o rosto do mal, eu sorrio.
E digo: o mal tem o rosto de quem um dia eu amei.
E o inferno?
Ah, o inferno foi o tempo que levei pra me libertar dele.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

O Herói das Trevas

Dizem que todo vilão nasceu de um coração partido.

Mas ele… ele nasceu de uma promessa.

Quando a guerra acabou e os heróis venceram, só restou ele — coberto de sangue, com as mãos sujas por decisões que ninguém mais teve coragem de tomar.
Chamaram-no de monstro, traidor, demônio.
Mas ninguém sabia o que o movia.
Ninguém sabia o nome do garoto.

O menino era frágil, pequeno demais para sobreviver num mundo que cultuava heróis falsos.
Os mesmos que destruíram vilas em nome da paz.
Os mesmos que sorriam em frente às câmeras e queimavam inocentes nas sombras.

Ele o encontrou entre os escombros — o garoto.
Sujo, tremendo, mas com os olhos mais puros que ele já tinha visto.
“Você não precisa ter medo de mim”, o vilão disse, a voz arranhando o silêncio.
O menino apenas respondeu: “Você parece cansado. Quer um pouco da minha comida?”

Foi a primeira vez, em anos, que ele sentiu algo humano.

Desde aquele dia, lutou não por poder, não por vingança, mas por aquele pequeno sorriso.
E cada cicatriz que carregava no corpo era o preço por mantê-lo vivo.

Mas os heróis não perdoam quem ousa quebrar o teatro da justiça.
Vieram atrás dele, mascarados de luz, empunhando a bandeira do bem.
Ele lutou até o último golpe, o corpo quebrado, o coração em pedaços.
Quando caiu de joelhos, o mundo pareceu silenciar.

“Parece que o vilão morreu”, um dos heróis zombou, cravando a espada no chão.

Mas antes que a lâmina atravessasse seu peito, uma voz ecoou entre os destroços:

“Eu não me importo que você seja o vilão... porque você me salvou. Você é o meu herói.”

O tempo parou.
Aquelas palavras cortaram o vazio como uma luz divina.
E então algo mudou dentro dele — uma chama reacendeu.

Ele levantou.
Os olhos, antes cinzentos, agora ardiam como fogo vivo.
A lâmina atravessou o ar com o rugido de um trovão.
Os falsos heróis tombaram, um por um, diante da força que nasceu do amor verdadeiro.

Quando tudo terminou, ele caminhou até o garoto.
Ajoelhou-se, o sangue escorrendo dos lábios.
“Heróis morrem em palcos iluminados... mas eu... eu só queria que você vivesse.”

O menino o abraçou, e pela primeira vez, o vilão chorou.
Não de dor, mas de alívio.
Porque, naquele instante, ele entendeu que não importa o que o mundo diga —
o amor sempre encontra um jeito de transformar monstros em heróis.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Cinzas de Mim

Eles me jogaram ao abismo,

acharam que o escuro ia me devorar.
Me cortaram em mil pedaços,
acharam que eu nunca ia voltar.

Meu corpo virou pó,
meu nome virou silêncio.
Mas o que eles não sabiam
é que no fundo do silêncio mora um grito.

Das cinzas que eles fizeram de mim,
eu me reconstruí.
Costurei minha carne com coragem,
lavei minha alma no fogo,
aprendi a andar sem chão.

Agora, cada gota do meu sangue
é um pacto de renascer.
Cada cicatriz, um mapa
do caminho que só eu sei percorrer.

Eles mataram o que eu era.
Mas nasceram as minhas asas.
E eu não sou mais o que fui:
sou maior, sou fogo, sou brasa.

Do pó eu voltei.
Do nada, me ergui.
Do que eles destruíram,
eu construí quem eu queria ser.

Do próprio sangue

Morreram-me os ossos antes da carne,

rasgaram-me a alma antes da pele.
Eu caí, sem grito,
num chão frio que não era meu.

E ali fiquei,
um corpo sem destino,
um nome sem dono,
um nada esperando acabar.

Mas meu sangue não aceitou o fim.
Ele queimava nas veias partidas,
chorava vermelho sobre a terra,
implorava pelo renascer.

E do próprio sangue eu levantei,
não mais como era,
mas como nunca tinham visto.

Minha pele, agora feita de cicatrizes,
meus olhos, forjados na dor.
Minha voz,
um trovão que não se cala.

Eu não sou mais o que fui —
morreu quem rastejava.
Do meu próprio sangue,
nasceu quem caminha sobre brasas,
quem encara o mundo e não abaixa a cabeça,
quem não se quebra mais.

Sou o fantasma do que tentaram destruir,
o renascimento daquilo que não puderam matar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

O perdão que eu não quis dar, mas precisei

Não foi escolha, foi ferida,

um nó que queimava na garganta,
um peso que não deixava meu peito respirar.
Eu não queria soltar,
não queria abrir mão,
queria guardar a dor como prova
de que eu tinha razão.

Mas o tempo, cruel e paciente,
me mostrou que segurar era morrer devagar.
E então percebi:
perdoar não era absolver o outro,
era libertar a mim.

Doeu mais que a própria mágoa,
doeu como se rasgasse minha pele por dentro,
como se eu traísse minha própria dor.
Mas precisei.
Porque só assim o coração pôde bater de novo
sem o eco do rancor.

O perdão que não quis dar
foi o que me salvou.

Carta de Desculpas a Deus

Pai,

Hoje não venho pedir, venho confessar.
Meus erros pesam na alma e sei que muitos deles foram escolhas minhas, mesmo sabendo o caminho certo.
Desculpa pelas vezes em que reclamei mais do que agradeci,
quando fechei os olhos para a Tua mão estendida,
e quando deixei o orgulho gritar mais alto que a fé.

Perdão pelos dias em que esqueci que Tu sempre estavas comigo,
pelas palavras impensadas, pelas mágoas guardadas,
pelos momentos em que deixei o medo vencer a confiança que deveria ter em Ti.

Eu não sou perfeito, e o Senhor sabe.
Mas ainda assim, continuo sendo Teu filho,
e no fundo do meu coração existe o desejo de acertar, de recomeçar,
de viver de um jeito que Te honre.

Obrigado por não desistir de mim, mesmo quando eu quase desisti de mim mesmo.
Obrigado pela vida, pela chance de reerguer meus passos,
pela esperança que ainda pulsa em meio às minhas quedas.

Recebe esta carta como um pedido sincero de perdão,
e como uma promessa de tentar, todos os dias,
ser alguém melhor do que fui ontem.

Te amo, Deus.
E mesmo pequeno diante da Tua grandeza,
sei que o Teu amor me alcança.

Amém.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Amor em Segredo

Eu te guardo em silêncio,
como quem guarda fogo nas mãos,
ardendo por dentro,
sem que ninguém perceba as chamas.

Falo de ti sem dizer teu nome,
em versos que finjo serem meus,
mas cada palavra é tua sombra,
cada rima, o rastro do teu olhar.

No meio da multidão,
meu coração só sabe te procurar.
E mesmo quando o mundo cala,
eu te ouço dentro de mim.

Se um dia o destino permitir,
solto esse segredo ao vento,
e que ele chegue até você,
como quem nunca soube —
que já era amado há tanto tempo

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Se eu tivesse coragem de dizer

Se eu tivesse coragem de dizer…

Eu diria que ainda lembro do seu cheiro.
Que ainda me pego sorrindo quando lembro da gente rindo à toa,
mesmo sabendo que, no fim, foi tudo menos leve.

Se eu tivesse coragem de dizer…
Eu te perguntaria por que.
Por que foi tão fácil pra você soltar minha mão?
Por que você me fez prometer o mundo
se ia me deixar no meio do caminho?

Se eu tivesse coragem de dizer…
Eu te contaria que tem dias em que eu ainda te espero.
Mesmo sabendo que não vai voltar,
mesmo fingindo que já passou.
Tem um pedaço meu que ainda se arruma por dentro
na esperança de te encontrar na rua por acaso.

Se eu tivesse coragem de dizer…
Eu te falaria que me doeu te ver sorrindo como se nada.
Como se a gente tivesse sido só mais uma estação.
Mas eu fui tempestade. Fui abrigo.
Fui tudo. E você? Você só foi.

Se eu tivesse coragem de dizer…
Eu assumiria que ainda me importo.
Que ainda penso em tudo que a gente poderia ter sido
se você tivesse ficado…
se eu tivesse gritado…
se o tempo tivesse sido mais justo.

Mas eu não digo.
Porque hoje eu finjo bem.
Finjo que não dói,
que não penso,
que não lembro.
Porque amar calado dói,
mas se declarar pra quem não merece…
destrói.

Pra quando você ler

Pra quando você ler isso…

Eu já vou ter chorado umas cem vezes.
Já vou ter trabalhado demais, dormido de menos.
Já vou ter passado pelo mesmo caminho onde você me deixou,
mas com um olhar novo.
Talvez mais duro. Talvez mais cansado. Mas ainda firme.

Pra quando você ler,
minha casa talvez já esteja pronta.
O quarto do João com os bonecos que ele ama.
As paredes cheias de planos, os móveis simples,
mas a alma… a alma em paz.
Mesmo que só por alguns instantes.

Pra quando você ler,
eu já vou ter parado de perguntar "por quê?".
Porque não foi a falta de amor. Foi a falta de verdade.
E quando a mentira vira rotina, o coração vira campo de batalha.
E eu cansei de morrer em guerra que só eu lutava.

Pra quando você ler,
eu já vou estar com outra mulher — ou talvez sozinho.
Mas nunca mais vazio.
Porque agora eu me encho de mim mesmo.
Eu me basto. E o que vier… é bônus.

Pra quando você ler,
você vai fingir que não sente. Mas vai.
Vai lembrar do meu cheiro.
Vai lembrar da forma como eu ouvia até seus silêncios.
Vai lembrar dos planos.
E vai doer. Porque fui eu quem sonhou por nós dois.

Pra quando você ler,
eu vou estar mais velho.
Com mais cicatrizes e menos ilusões.
Mas ainda com o mesmo amor dentro do peito —
dessa vez, guardado pra quem merecer.

E se você sentir falta…
não procura.
Fica com a dúvida.
Porque foi isso que você deixou pra mim:
a dúvida se algum dia fui suficiente.

Mas no fim, eu entendi:
eu fui.
Você é que não soube o que fazer com tanto.

Hoje

Sabe, às vezes a gente se apega a silêncios mais do que a palavras.

Não porque tem algo a esconder…
Mas porque certas coisas ainda estão se formando dentro da gente.

Você me olha com receio, como se tivesse medo de se permitir.
Como se estivesse esperando eu provar que não sou só mais um erro no meio do caos.
E talvez eu esteja.

Mas não te peço promessas, nem certezas.
Só que, se em algum momento você sentir paz no meio do turbilhão,
se sentir vontade de ficar — mesmo com medo —
me avisa.

Porque mesmo sem dizer muito…
eu tô aqui.

E o resto, bom… o tempo se encarrega de revelar.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

A ÚNICA TESTEMUNHA DO TEU CRIME

 Você não me matou.

Mas matou tudo que eu era.
Matou meu riso, minha fé nas promessas, meu respeito pela palavra “nós”.
E fez isso devagar, sorrindo, fingindo que ainda amava — só pra manter o disfarce até encontrar outro corpo pra se deitar.

Você me usou.
Usou minha presença pra não parecer sozinha.
Usou meu silêncio pra esconder tua sujeira.
Usou meu amor como fachada, enquanto por dentro já planejava a traição.

Não teve coragem de terminar,
Mas teve apetite pra começar outra história enquanto a nossa ainda respirava.
Dormia na minha cama, com o nosso filho ao lado,
E acordava com mensagens de outros no celular.
E ainda teve a ousadia de se ajoelhar pra orar.
Fingir que era luz,
Enquanto mergulhava no próprio abismo.

Mas Deus viu.
Deus viu tudo.
O que você fala de mim nos bastidores.
O que você mentiu pro seu próprio filho.
O que você faz enquanto diz que vive pela fé.

Você foi perversa.
Fria.
Tão fria que me cortou e disse que era só vento.
Tão covarde que quebrou o lar que eu lutei pra sustentar e ainda quis posar de vítima.

E sabe o que mais?
Eu nem queria te destruir.
Mas queria que, por um segundo só, você sentisse a dor que me fez viver.

A dor de ver teu filho confuso, com o coração partido, sem entender por que a mãe dele virou outra pessoa.
A dor de explicar pra ele que você mentiu, sem usar a palavra “mentira” pra não sujar ainda mais sua imagem.
A dor de ter que engolir o choro quando ele pergunta: “Ela ainda ama a gente?”

Você mentiu pra mim.
Mentiu pra ele.
Mentiu pra Deus.
E agora mente pra si mesma.

Mas a verdade é uma vadia persistente: ela volta. Sempre volta.
E um dia você vai ver, no rosto do teu filho, o reflexo do que você destruiu.

Porque ele vai crescer.
E ele vai lembrar.
Ele vai lembrar quem estava lá,
E quem só apareceu quando era conveniente.

Talvez ele nunca diga nada.
Mas vai saber.
E quando ele souber…
Eu vou estar em silêncio.
Porque quem tem a verdade não precisa gritar.

COVARDE

Você não foi embora.

Você fugiu.
Fugiu da responsabilidade, da verdade, do filho que dizia te amar todos os dias.
Você não teve coragem de dizer “acabou”.
Mas teve disposição de sobrar sorrisos pra outros enquanto eu passava noites em claro cuidando do nosso filho doente.

Você fingiu.
Fingiu ser esposa, fingiu ser mãe, fingiu que orava a um Deus que você traiu com cada mentira que contou.
Fingiu fidelidade num casamento onde só você quebrou os votos.

Covarde.
Porque só um covarde sorri pro filho sabendo que vai abandoná-lo.
Só um covarde alimenta esperança quando já preparou a sentença.
Só um covarde transa com outro…
Enquanto o pai cuida do filho que vocês fizeram juntos.

Você me acusa.
Mas nunca me ouviu.
Você me julga.
Mas nunca olhou pra dentro.

E agora diz que precisa de medidas contra mim…
Contra quem?
Contra o pai que nunca deixou faltar amor nem quando a alma tava destruída?
Contra o homem que engoliu cada dor calado só pra proteger o filho da verdade?
Contra o homem que foi agredido e escolheu não revidar?
Covarde.

E eu repito:
Covarde.
Porque coragem seria ter olhado nos meus olhos e dito tudo o que você diz pelas costas.
Coragem seria não usar Deus como desculpa enquanto traía tudo que Ele representa.

O universo vai cobrar.
E você sabe disso.
Porque um dia você falou com desprezo que ele tava me cobrando.
Mas se esqueceu de olhar no espelho e ver o que ele ainda vai pedir de você.

Trair um parceiro… é feio.
Trair um filho… é imperdoável.

E mentir pra Deus?
Nem sei se tem nome pra isso.

Fica com sua consciência.
Com seu novo "Presente de Deus".
Com a sua paz de mentira.

Porque a minha verdade…
Vai ecoar nos lugares onde sua máscara não entra.
E se um dia você tiver coragem de ouvir a minha voz de novo…
Vai ter que dar play no meu canal.
Porque minha boca nunca mais se abre pra quem me enterrou vivo.

O amor que você matou

Você lembra daquele dia em que eu cheguei mais cedo?

Eu tinha comprado sua comida preferida.
Vim todo bobo, sorrindo, com uma ideia idiota de te surpreender.
E você nem olhou nos meus olhos.
Só falou um "tá" e voltou pro celular.

Ali eu senti a primeira facada.

Você lembra quando eu parei de reclamar?
Deixei de perguntar onde você tava, com quem, por que?
Não era confiança.
Era cansaço.
Cansaço de implorar por um espaço no seu mundo.

Lembra do dia em que eu chorei dormindo e você fingiu que não viu?
Do dia em que eu fiquei doente e você disse que "tava ocupada"?
Lembra?
Porque eu lembro.
Eu lembro de tudo.

Lembro que você me tratava como um incômodo.
Como se amar você fosse um crime — e eu fosse o culpado.

Mas quer saber?
O pior nem foi você ir embora.
O pior foi ficar…
Sem alma.
Sem calor.
Sem respeito.

Você ficou só o suficiente pra me destruir.
Só o suficiente pra me fazer acreditar que eu era difícil de amar.

E agora que eu tô bem…
Agora que eu não te procuro, que não te espero, que não te cito…
Você se pergunta se eu ainda penso em você?

Sim.
Mas não como antes.
Penso como quem lembra de um incêndio…
Que quase matou tudo.
Mas do qual eu saí vivo.
Mais forte.
Mais inteiro.

E você?

Você foi embora de mim muito antes de eu partir de você.
E um dia, quando tudo desabar,
quando o silêncio da sua cama gritar,
quando ninguém te responder “cheguei”…

Você vai lembrar.
Do amor que você matou com desprezo.
E aí, vai chorar.
Mas ninguém vai estar ali pra enxugar.

Porque quem sente falta tarde demais,
merece a ausência.

No dia em que eu fui embora

No dia em que eu fui embora, você não notou.

Eu deixei a chave em cima da mesa,
a toalha dobrada,
o armário com seu lado ainda cheio.
E fui.

Fui levando só o que era meu:
as feridas escondidas,
as palavras que calei,
os ‘tá tudo bem’ que engoli a seco,
as noites em claro esperando você voltar pra mim — e não pra casa.

Eu saí em silêncio.
Porque não havia mais nada pra gritar.
Você nunca escutava mesmo.

No caminho, me lembrei do nosso primeiro “eu te amo”.
De quando você chorou dizendo que nunca deixaria eu me sentir sozinho.
E chorei também…
Porque foi exatamente isso que você fez.

Você me deixou sozinho dentro do “nós”.

Hoje, talvez você fale de mim como se eu tivesse desistido.
Mas a verdade é:
eu fui o último a sair quando tudo já tinha acabado.

Você ficou com a casa.
Com os móveis.
Com as desculpas.
Com as fotos na parede.

Mas eu fiquei com a liberdade de amar de novo.
De me amar.

E a pior parte?

Você só percebeu que me perdeu…
quando eu já tinha aprendido a viver sem você.

Você sabia

Você sabia quando me olhava, que era ali que eu ficava.

Sabia quando eu chegava com a sacola do mercado, mesmo sem grana, com aquele chocolate barato que você gostava.
Você sabia que eu era casa.
Mas ficou esperando o incêndio.
Esperou eu queimar inteiro pra depois dizer que sentia falta do calor.

Você sabia.
Quando eu cuidava de você doente, ou te esperava voltar sem nem saber se ia voltar.
Sabia quando eu dizia que tava tudo bem, mesmo com a alma em pedaços.
Você sabia que eu tava me perdendo, mas achou que eu sempre voltaria.

E eu voltei.
Voltei mil vezes.
Com flores que você não quis.
Com beijos que você recusou.
Com promessas que você esqueceu.

E agora…
Agora tem gente rindo das piadas que você ignorava.
Tem braços que me seguram quando o mundo desaba — sem precisar eu pedir.
Tem gente que me olha como se tivesse encontrado um tesouro, enquanto você me tratava como um peso.

E você sabe o pior?
É que eu ainda falo de você com carinho.
Ainda te defendo quando falam mal.
Porque não fui eu quem mentiu.
Não fui eu quem fugiu.
Não fui eu quem perdeu.

Foi você.

Você me perdeu.
E ninguém mais vai amar você…
Do jeito que eu amei.