quarta-feira, 20 de agosto de 2025

O perdão que eu não quis dar, mas precisei

Não foi escolha, foi ferida,

um nó que queimava na garganta,
um peso que não deixava meu peito respirar.
Eu não queria soltar,
não queria abrir mão,
queria guardar a dor como prova
de que eu tinha razão.

Mas o tempo, cruel e paciente,
me mostrou que segurar era morrer devagar.
E então percebi:
perdoar não era absolver o outro,
era libertar a mim.

Doeu mais que a própria mágoa,
doeu como se rasgasse minha pele por dentro,
como se eu traísse minha própria dor.
Mas precisei.
Porque só assim o coração pôde bater de novo
sem o eco do rancor.

O perdão que não quis dar
foi o que me salvou.

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