Não foi escolha, foi ferida,
um nó que queimava na garganta,
um peso que não deixava meu peito respirar.
Eu não queria soltar,
não queria abrir mão,
queria guardar a dor como prova
de que eu tinha razão.
Mas o tempo, cruel e paciente,
me mostrou que segurar era morrer devagar.
E então percebi:
perdoar não era absolver o outro,
era libertar a mim.
Doeu mais que a própria mágoa,
doeu como se rasgasse minha pele por dentro,
como se eu traísse minha própria dor.
Mas precisei.
Porque só assim o coração pôde bater de novo
sem o eco do rancor.
O perdão que não quis dar
foi o que me salvou.
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