Pra quando você ler isso…
Eu já vou ter chorado umas cem vezes.
Já vou ter trabalhado demais, dormido de menos.
Já vou ter passado pelo mesmo caminho onde você me deixou,
mas com um olhar novo.
Talvez mais duro. Talvez mais cansado. Mas ainda firme.
Pra quando você ler,
minha casa talvez já esteja pronta.
O quarto do João com os bonecos que ele ama.
As paredes cheias de planos, os móveis simples,
mas a alma… a alma em paz.
Mesmo que só por alguns instantes.
Pra quando você ler,
eu já vou ter parado de perguntar "por quê?".
Porque não foi a falta de amor. Foi a falta de verdade.
E quando a mentira vira rotina, o coração vira campo de batalha.
E eu cansei de morrer em guerra que só eu lutava.
Pra quando você ler,
eu já vou estar com outra mulher — ou talvez sozinho.
Mas nunca mais vazio.
Porque agora eu me encho de mim mesmo.
Eu me basto. E o que vier… é bônus.
Pra quando você ler,
você vai fingir que não sente. Mas vai.
Vai lembrar do meu cheiro.
Vai lembrar da forma como eu ouvia até seus silêncios.
Vai lembrar dos planos.
E vai doer. Porque fui eu quem sonhou por nós dois.
Pra quando você ler,
eu vou estar mais velho.
Com mais cicatrizes e menos ilusões.
Mas ainda com o mesmo amor dentro do peito —
dessa vez, guardado pra quem merecer.
E se você sentir falta…
não procura.
Fica com a dúvida.
Porque foi isso que você deixou pra mim:
a dúvida se algum dia fui suficiente.
Mas no fim, eu entendi:
eu fui.
Você é que não soube o que fazer com tanto.
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