terça-feira, 5 de agosto de 2025

O amor que você matou

Você lembra daquele dia em que eu cheguei mais cedo?

Eu tinha comprado sua comida preferida.
Vim todo bobo, sorrindo, com uma ideia idiota de te surpreender.
E você nem olhou nos meus olhos.
Só falou um "tá" e voltou pro celular.

Ali eu senti a primeira facada.

Você lembra quando eu parei de reclamar?
Deixei de perguntar onde você tava, com quem, por que?
Não era confiança.
Era cansaço.
Cansaço de implorar por um espaço no seu mundo.

Lembra do dia em que eu chorei dormindo e você fingiu que não viu?
Do dia em que eu fiquei doente e você disse que "tava ocupada"?
Lembra?
Porque eu lembro.
Eu lembro de tudo.

Lembro que você me tratava como um incômodo.
Como se amar você fosse um crime — e eu fosse o culpado.

Mas quer saber?
O pior nem foi você ir embora.
O pior foi ficar…
Sem alma.
Sem calor.
Sem respeito.

Você ficou só o suficiente pra me destruir.
Só o suficiente pra me fazer acreditar que eu era difícil de amar.

E agora que eu tô bem…
Agora que eu não te procuro, que não te espero, que não te cito…
Você se pergunta se eu ainda penso em você?

Sim.
Mas não como antes.
Penso como quem lembra de um incêndio…
Que quase matou tudo.
Mas do qual eu saí vivo.
Mais forte.
Mais inteiro.

E você?

Você foi embora de mim muito antes de eu partir de você.
E um dia, quando tudo desabar,
quando o silêncio da sua cama gritar,
quando ninguém te responder “cheguei”…

Você vai lembrar.
Do amor que você matou com desprezo.
E aí, vai chorar.
Mas ninguém vai estar ali pra enxugar.

Porque quem sente falta tarde demais,
merece a ausência.

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