Morreram-me os ossos antes da carne,
rasgaram-me a alma antes da pele.
Eu caí, sem grito,
num chão frio que não era meu.
E ali fiquei,
um corpo sem destino,
um nome sem dono,
um nada esperando acabar.
Mas meu sangue não aceitou o fim.
Ele queimava nas veias partidas,
chorava vermelho sobre a terra,
implorava pelo renascer.
E do próprio sangue eu levantei,
não mais como era,
mas como nunca tinham visto.
Minha pele, agora feita de cicatrizes,
meus olhos, forjados na dor.
Minha voz,
um trovão que não se cala.
Eu não sou mais o que fui —
morreu quem rastejava.
Do meu próprio sangue,
nasceu quem caminha sobre brasas,
quem encara o mundo e não abaixa a cabeça,
quem não se quebra mais.
Sou o fantasma do que tentaram destruir,
o renascimento daquilo que não puderam matar.
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