terça-feira, 5 de agosto de 2025

No dia em que eu fui embora

No dia em que eu fui embora, você não notou.

Eu deixei a chave em cima da mesa,
a toalha dobrada,
o armário com seu lado ainda cheio.
E fui.

Fui levando só o que era meu:
as feridas escondidas,
as palavras que calei,
os ‘tá tudo bem’ que engoli a seco,
as noites em claro esperando você voltar pra mim — e não pra casa.

Eu saí em silêncio.
Porque não havia mais nada pra gritar.
Você nunca escutava mesmo.

No caminho, me lembrei do nosso primeiro “eu te amo”.
De quando você chorou dizendo que nunca deixaria eu me sentir sozinho.
E chorei também…
Porque foi exatamente isso que você fez.

Você me deixou sozinho dentro do “nós”.

Hoje, talvez você fale de mim como se eu tivesse desistido.
Mas a verdade é:
eu fui o último a sair quando tudo já tinha acabado.

Você ficou com a casa.
Com os móveis.
Com as desculpas.
Com as fotos na parede.

Mas eu fiquei com a liberdade de amar de novo.
De me amar.

E a pior parte?

Você só percebeu que me perdeu…
quando eu já tinha aprendido a viver sem você.

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