terça-feira, 11 de novembro de 2025

O Último Poema

Se for pra ser o último,

que ele venha pesado, sincero, sem floreio.
Que carregue nas entrelinhas tudo o que eu calei,
tudo o que sangrei sorrindo.

Esse é o último poema — não porque acabou o que sinto,
mas porque aprendi que nem todo sentimento merece ser lembrado.
Alguns precisam ser enterrados em silêncio,
pra alma descansar.

Eu dei tudo.
Transformei dor em arte, ausência em palavra,
e o que restou de mim, deixei aqui — nessas linhas.

Se um dia alguém ler e sentir algo,
que saiba:
cada verso é uma cicatriz,
cada rima é um adeus,
e cada pausa… um respiro que eu precisei pra não morrer junto.

Esse é o meu último poema.
Mas não o fim de mim.
Porque mesmo em ruínas,
eu ainda sou o tipo que renasce —
nem que seja pra escrever mais um.

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