sexta-feira, 7 de novembro de 2025

O Medo de mim

Eu preciso te contar uma coisa que ninguém nunca entende:

eu carrego medo demais dentro de mim.

Não é medo do mundo.
Nem da dor.
Nem da solidão — essa eu já conheço melhor do que deveria.
É medo de mim.

Medo do que eu sinto.
Do que eu falo quando estou machucado.
Do jeito que eu penso rápido demais e ajo antes de entender.
Medo de pegar algo bonito
e tocar com as mãos que já seguraram tanta queda
que às vezes eu esqueço que também posso ser cuidado.

Eu tenho medo de te perder
antes mesmo de te ter por completo.

Medo de falar errado.
De atravessar seu silêncio com as minhas urgências.
De ser intenso demais.
De parecer pouco demais.
De não saber o meio-termo entre o que posso dar
e o que você merece receber.

Porque eu tento ser perfeito,
mas no fim eu sou só um humano que ainda está se reconstruindo
com os cacos que sobraram da guerra que eu vivo em mim.

Eu tenho verdade demais dentro do peito.
E às vezes essa verdade pesa.
Às vezes ela invade.
Às vezes ela sufoca até quem eu mais quero proteger.

E eu sei…
Isso assusta.

Eu morro de medo que você olhe pra mim um dia
e pense que é difícil demais ficar.
Que eu sou tempestade demais pra quem só queria um pouco de paz.

Mas eu preciso que você saiba
que eu não quero te prender.
Eu não quero te exigir.
Eu não quero te perder.

Eu só quero aprender, aos poucos,
a ser alguém que vale a pena ficar.

Eu só preciso que alguém
— talvez você —
olhe pra mim e diga:

"Tudo bem. Eu entendi. Eu fico."

Porque eu posso lutar contra o mundo inteiro…
mas contra o medo de mim,
eu só consigo lutar se alguém me der a mão.

Nenhum comentário: