quarta-feira, 5 de novembro de 2025

O Meu Último Pôr do Sol, o Meu Primeiro Amanhecer

Eu já vi muitos finais.

Já senti o sol se pôr nas minhas costas tantas vezes
que eu quase achei que viver era só isso:
sobreviver ao escuro.

Por muito tempo, o pôr do sol foi a metáfora da minha vida:
sempre perdendo algo, sempre me despedindo,
sempre deixando pra trás
aquilo que eu tive medo de perder,
até que o destino tirou de mim mesmo assim.

Eu me acostumei com o fim.
Com portas fechadas, amores cansados,
promessas que viraram pó na língua de quem jurou ficar.

Eu pensei que o amor sempre acabaria desse jeito:
devagar, silencioso, como um quarto escurecendo
até a gente esquecer como era a luz.

Mas então você chegou.
Não com fogos.
Não com pressa.
Não como alguém que invade —
mas como alguém que entra.

E o meu pôr do sol mudou de sentido.

Porque você não veio para ser abrigo de tempestade,
você veio para ser clima de primavera.
Você não veio me salvar,
você me ensinou a me sentar comigo mesmo
sem medo da noite.

Você me mostrou que o escuro não é o fim,
é o intervalo antes da aurora.

E então aconteceu:
a primeira manhã que eu não acordei cansado de existir.
A primeira manhã que eu respirei fundo
e meu peito não doeu.

Foi aí que eu percebi:

O meu último pôr do sol foi o dia em que eu desisti de tudo que me feriu.
O meu primeiro amanhecer foi o dia em que eu encontrei você.

Porque quando eu vi o sol nascer no seu sorriso,
na calma da tua voz,
no jeito que teus olhos seguram o mundo inteiro
sem nunca perder a doçura…

Eu entendi que o amor não precisa ser guerra.

O amor pode ser retorno.
O amor pode ser cura.
O amor pode ser paz.

Você foi o fim da minha noite
e o começo da minha vida.

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