Agora você é um fantasma,
morta pelas mentiras que você mesma criou,
envenenada pelas palavras que uma vez acreditou ser verdades,
pelos pecados que carregou e me impôs.
Você é a sombra do que um dia foi,
mas não se engane,
nem os ecos da sua voz podem me alcançar mais.
Eu estou aqui, de joelhos,
orando no seu velório silencioso,
pedindo a Deus que perdoe seus pecados,
não apenas os meus olhos, mas os olhos do nosso filho.
Porque ele também viu, ele também sofreu,
vendo você destruir o que um dia foi um lar,
vendo você mentir,
esconder a verdade,
fazer-se de vítima quando você era a vilã.
Você me enganou enquanto eu lutava contra meus próprios demônios,
enquanto eu ajudava os meus algozes,
tentando ser quem você queria,
tentando salvar o que estava afundando
sem saber que você já tinha afundado tudo.
Você fez eu me sentir culpado,
quando, na realidade, foi você quem me destruiu,
com cada mentira que sua boca proferiu.
Eu olhei nos seus olhos e vi a dor de alguém que já não existia,
alguém que se perdeu nas próprias escolhas,
alguém que não sabia mais distinguir a verdade da mentira,
mas que me fez carregar o peso do que não era meu.
E agora, quando você é só lembrança,
eu clamo para que Deus perdoe sua ignorância,
perdoe os pecados que você cometeu,
perdoe a dor que você causou,
perdoe as mentiras que um dia você fez acreditar.
Eu não te odeio,
não mais.
O ódio é uma prisão que eu já me libertei,
mas a dor, essa dor,
fica gravada no que resta de quem você foi.
Eu oro por você,
não por mim, mas por quem você poderia ter sido,
se tivesse escolhido o amor,
a verdade, e não a mentira que te consumiu.
E agora, você é um fantasma,
mas eu estou livre.
Livre para seguir em frente,
livre para viver,
livre para olhar nos olhos do nosso filho
e mostrar a ele que a verdade,
mesmo dolorosa,
é a única coisa que importa.
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