segunda-feira, 28 de abril de 2025

🌿 "O Que Ficou de Mim"

 Eu fui o abrigo, a casa, o chão.

Fui a voz que dizia "eu estou aqui", mesmo em silêncio.
Fui os braços que seguraram o mundo quando o mundo pesava demais.

Amei tão grande, tão forte, tão fundo,
que esqueci de guardar pedaços meus.

Vi o adeus não na palavra, mas no descuido,
no abandono frio, no amor que morreu devagar.

Chorei escondido onde ninguém podia ver,
gritei dentro de mim onde ninguém podia ouvir,
morri em vida onde ninguém quis entender.

Mas da dor que tentou me afogar,
nasceu o homem que sabe respirar.
Do vazio que tentaram me deixar,
nasceu a força que ninguém vai quebrar.

Eu carrego cicatrizes que contam quem eu fui,
mas não carrego mais correntes que me prendem onde eu morri.

Se ela olhar para trás, verá apenas o eco do que perdeu.
Se tentar me chamar, ouvirá apenas o som do vento levando embora o que já foi.

Porque eu não volto mais.
Não por orgulho.
Mas por amor próprio.
Por respeito à vida que Deus ainda tem pra mim.

Eu sou amor, eu sou dor,
eu sou a superação viva do que tentaram destruir.

E agora, sem medo, sem amarras,
eu voo.

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