sexta-feira, 25 de abril de 2025

Carta de despedida silenciosa

 Hoje eu escrevo não pra pedir explicações.

Não pra te culpar.
Não pra te fazer sentir nada.
Eu escrevo porque chegou o fim de uma história que me doeu até a alma.

Eu te amei.
Com tudo que eu tinha.
Com entrega, com cuidado, com sonhos.
Te dei meu nome, meu tempo, meu corpo, meu coração.
E, acima de tudo, te dei confiança.

Você pegou tudo isso… e rasgou.
Não só me traiu como homem,
mas me feriu como pai.
Me arrancou da vida do meu filho.
Me colocou numa história distorcida,
enquanto sorria na minha frente.

Talvez você tenha sido manipulada.
Talvez alguém tenha alimentado teus medos, tuas mágoas, tua raiva.
Mas você escolheu acreditar.
Você escolheu mentir.
Você escolheu partir.

E eu?
Fiquei no chão.
Me sentindo lixo.
Tentando entender como alguém que dizia me amar foi capaz de tamanha crueldade.
Tentando explicar pro espelho por que ainda doía. Por que eu ainda sentia pena.

Mas hoje…
Hoje eu encerro isso.

Hoje eu me despeço.
Não só de você,
mas do que eu fui enquanto estive ao teu lado:
um homem que esquecia de si, que se doava sem limites, que calava a dor pra manter um lar de pé.

Esse homem morreu.
E dele nasceu outro:
Ferido, mas acordado.
Solitário, mas inteiro.
Despedaçado, mas verdadeiro.

Você perdeu.
Não um homem qualquer.
Mas um homem que teria ficado até o fim.
Você perdeu a única pessoa que ainda queria ver o bem em você.

Agora, eu me escolho.
Eu escolho meu filho.
Escolho minha paz.
Escolho minha verdade.

E você…
Você agora é só lembrança.
Uma que vai doer menos a cada dia.

Adeus.
Mas, principalmente,
meu perdão silencioso.
Porque eu não vou carregar mais isso comigo.
Eu solto.
Eu sigo.
Eu me salvo.

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