segunda-feira, 28 de abril de 2025

🕊️ "Amor, Dor e Asas"

 Eu dei o mundo em minhas mãos abertas,

entreguei meu riso, minha alma desperta.
Plantei jardins onde havia deserto,
lutei sozinho pra manter tudo certo.

Dei flores, dei casa, dei abrigo,
dei o melhor de mim, sem nunca medir perigo.
Na fraqueza, fui forte; na dor, fui inteiro;
amei até sangrar, até perder meu próprio cheiro.

E então, no silêncio que só o abandono ensina,
chorei cada pedaço da minha ruína.
Vi o amor que eu cultivei ser pisado,
vi meus sonhos se partirem calados.

Fui acusado de vilão sem ser,
vi nos olhos do meu filho o que ainda quero proteger.
E mesmo caído, mesmo destruído,
eu não quebrei, eu não desisti de ter sentido.

A dor me ensinou que o amor não se implora,
que quem ama de verdade não vai embora.
Que quem escolhe partir sem lutar,
não merece ver o quanto eu poderia voar.

Então hoje eu mato em mim a parte que sofria,
o menino que chorava em agonia,
o homem que acreditava em promessas vazias.

Hoje eu renasço.

Sem olhar pra trás, sem pedir permissão,
com asas novas, forjadas na solidão.
Eu sou feito de fogo, de fé e de chão.
Eu sou prova viva que até o amor mais ferido
pode ser semente de ressurreição.

E se um dia ela olhar pra trás,
e ver o que deixou,
só verá um homem que foi,
e que nunca mais voltou.

Porque o amor verdadeiro não morre.
Ele renasce em quem aprende a se amar primeiro.

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