Não teve flores.
Não teve discurso.
Não teve abraço.
Só eu.
Eu cavei o buraco.
Eu lavei o corpo.
Eu ajoelhei no chão frio.
Eu chorei sem plateia.
Eu segurei minha própria mão.
Eu fui o morto.
Eu fui o coveiro.
Eu fui a família inteira.
Ninguém viu.
Ninguém se importou.
Ninguém perguntou.
Mas eu vi.
Eu senti.
Eu sobrevivi.
O enterro acabou.
A terra fechou.
O silêncio ficou.
E aquele que saiu dali…
não era mais o mesmo.
Quem enterra a si mesmo
não volta igual.
Volta mais duro.
Mais lúcido.
Mais consciente.
Volta sabendo
que não precisa de plateia
pra renascer.
Eu morri sozinho.
Então eu vou viver por mim.
E dessa vez…
ninguém me enterra mais...
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