quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Foi um enterro... E ninguém apareceu...

Não teve flores.

Não teve discurso.
Não teve abraço.

Só eu.

Eu cavei o buraco.
Eu lavei o corpo.
Eu ajoelhei no chão frio.
Eu chorei sem plateia.
Eu segurei minha própria mão.

Eu fui o morto.
Eu fui o coveiro.
Eu fui a família inteira.

Ninguém viu.
Ninguém se importou.
Ninguém perguntou.

Mas eu vi.
Eu senti.
Eu sobrevivi.

O enterro acabou.
A terra fechou.
O silêncio ficou.

E aquele que saiu dali…
não era mais o mesmo.

Quem enterra a si mesmo
não volta igual.

Volta mais duro.
Mais lúcido.
Mais consciente.

Volta sabendo
que não precisa de plateia
pra renascer.

Eu morri sozinho.
Então eu vou viver por mim.

E dessa vez…
ninguém me enterra mais...

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